
Banda dá sinais de vitalidade no fraco momento do rock brasileiro.
Longe de qualquer nostalgia e usando da compassividade que o tempo cede a quem por ele passou mudando também; não dá para classificar Sacos Plásticos (2009) novo disco dos Titãs como o novo Cabeça Dinossauro ou Õ Blesq Blom, afinal de contas, em pleno século XXI, a reflexão sobre letras minimalistas ficou no passado recente do rock brasileiro.
O CD produzido por Rick Bonadio (Fresno, NXZero, Charlie Brown Jr, Bro’z, Rouge…) traz bons momentos do quinteto paulista que ficou conhecido por suas inquietações e rica criatividade, pois, é ou não um hino panfletário da arte, Comida (Arnaldo Antunes) ou mesmo um marco da fusão entre a MPB e o Rock Brasileiro Cegos do Castelo?
Para ouvidos titanomaquinenses, a obra é uma pueril carta de adeus dos Titãs a sua carreira irreverente. Temos muitas fómulas que se repetem desde “A Melhor Banda dos Últimos Tempos da Última Semana” como as baladas açucaradas de Sérgio Britto (Deixa Eu Sangrar e Porque Eu Sei Que é Amor) e a voz sintomática de Branco Mello em canções de discurso coerentemente confuso (A Estrada).
Mas não é só isso.

A bolacha, de boa qualidade, em sua primeira canção, Amor Por Dinheiro, não dá boas esperanças ao ouvinte. Britto (de quem falo mais abaixo), sob uma batida eletrônica chata e enjoativa, vomita sua canção visceral sobre dinheiro, Deus e os homens. A letra tem seu charme, mas a música é muito ruim.
Antes de Você, a segunda faixa, é a típica música que denominaram chamar de comercial. Com sua receitinha pop (estribilho, solo e refrão), não está ingenuamente colocada na trilha sonora de uma novela global. Não acresce em nada a vasta discografia da banda paulista. De positivo, apenas a excelente voz de Paulo Miklos.
A canção que dá título ao disco – Sacos Plásticos - é uma das melhores feitas pela banda, ao menos levando-se em conta seus três últimos discos. O exercício textual de substituir objetos de nossa rotina numa declaração de amor ego-possessiva mostra que, em parcas soluções, a verve da banda se revela ainda. Esta canção de Branco Mello e Paulo Miklos traz uma marca positiva de todo o trabalho: Branco se tornou um intérprete curiosamente interessante a medida que dá uma legítima credibilidade a tudo que canta.
Outra boa canção é Quanto Tempo. É daquelas músicas que caracterizaram os Titãs principalmente nos anos 80. Um jogo de palavras muito interessante e uma boa intenção de pensar o tempo a partir da banda, que teve seu primeiro disco lançado há 25 anos. Temos ainda a ótima Deixa Eu Entrar (com participação de Andreas Kisser), com letra ambigua, embora curta, a bela balada Porque Eu Sei Que é Amor e o reggae maneiríssimo Nem Mais Uma Palavra.
O disco tem uma estranha vocação aos ritmos eletrônicos (em quase todas as canções) e arranjos de cordas duvidosos em Porque Eu Sei Que é Amor e Deixa eu Sangrar.
E para não animar (?) de vez o fã ficam as péssimas Problema (a pior participação de Arnaldo Antunes desde que o mesmo deixou a banda) e a fraca Agora Eu Vou Sonhar. Aliás, Sérgio Britto, compositor da última, está muito mal neste trabalho. Sua voz apresenta algumas dificuldades e ele é a decepção deste disco, no qual a banda parece estar mais unida.