Aliterasom

13 13UTC Junho 13UTC 2009

Caetano e a Pandemia Rolling Stones

Arquivado em: Música — Daniel Junior @ 0:05
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Fiquei de cara (não achei uma expressão melhor) ao saber pela coluna de Régis Bonvicino no site IG, que o grande Caetano Veloso, democraticamente, solicitou junto à Comissão Nacional de Incentivo a Cultura, através da Lei Rouanet , a pequena quantia de dois milhões de reais para patrocinar sua recente turnê auto-intitulada “Tour Caetano Veloso” para divulgação de seu novo disco Zii e Zie. Para quem não sabe, esta lei tem como objetivo dar suporte financeiro às artes eruditas, menosprezadas em nosso Brasil varonil e não tem qualquer tipo de ligação com dinheiro da indústria privada. É cascalho referente ao imposto que eu e você pagamos…

Do artista Caetano Veloso eu conheço pouquíssimo e digo sem vergonha alguma. Respeito seu talento e fundamental história na Música Popular Brasileira, mas há muito não produz nada de relevante. Aliás, como anda a nossa música,hein?! Bem isso é assunto para um outro post.

O que vale dizer aqui em pouquíssimas palavras porque acho que o primeiro parágrafo já disse o que deveríamos saber, além do fato de tal Comissão ter negado o pedido do baiano (graças a Deus), é que é uma atitude para lá de vergonhosa (do artista, não da comissão) e, por que não dizer, uma tremenda cara de pau de um artista que foi ativista político, intelectual, voz de referência em terra brasilis, se valer da oportunidade que uma boa lei produz aos esquecidos da pintura, do teatro e da música erudita para, sem qualquer acanhamento, requerer uma vasta quantia com a simples finalidade: bancar sua visitinha pelo Brasil (e quem sabe exterior) para a divulgação de seu novo disco.

Ora bolas Caetano!!! Que tropicália é esta (no mal sentido)? Resolveu quebrar um cristal partido em tantas outras ocasiões por colegas dinossauros (quem não se lembra da história de Paulinho da Viola e co-irmãos no tal do reveillon na praia de Copacabana?) e que, repito, vivem a síndrome que assola este país: a pandemia Rolling Stones. Aquela na qual o artista faz sua fama, dorme na cama e, numa masturbação coverística (aumentei a dose da dureza, por isso tal verborragia), se alimenta da seiva de seu próprio talento. Nada contra fazer a fama, dormir na cama, mas transporte a música para qualquer esfera artística e imagine se um cineasta vivesse apenas de continuações de seus clássicos, se pintores pintassem apenas os mesmos quadros, com cores semelhantes, se teatrólogos expusessem suas mesmas idéias por anos e anos…

Isso só para explicitar a crise criativa pela qual passa a dolorida rica e pré-histórica geração tão bem aventurada em outros tempos. Como cidadão, é grave a insistência (sabe-se pela coluna de Régis, que sua empresária, sua ex-mulher Paula Lavigne, tentou pressionar membros de tal comissão) num erro de avaliação simples e que faz a gente pensar, que com sua inteligência ele está brincando de Brasil.

Nem dá para acreditar, sendo brasileiro e com quase 35, que o país passa quase imaculado mediante uma crise que quebrou bancos, indústrias automobilísticas consolidadas e economias continentais e um dos nossos maiores artistas querendo usufruir do dinheiro público para (sua) indústria do entretenimento.

Poxa, foi o tempo em que, mesmo sem lenço e sem documento, sua voz ecoava qualificada pelos festivais, pelas ruas e pelas páginas de jornal. Sem um romantismo banal agregado ao fato, lhe digo: pisou na bola, Caê!

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