Compositor não se repete e lança excelente disco em 2009
Quando você pensa, que, uma vez estabelecido, Nando Reis irá fazer discos que apenas mantenham sua bem sucedida carreira solo, ele vai lá e faz “o melhor tempo”.
Drês é o melhor disco de inéditas do cantor desde Para Quando o Arco Íris Encontrar o Pote de Ouro (2000), disco repleto de hits e que consolidou a carreira do ex-Titãs.
Desta vez parece beber da sua verve mais roqueira, no que diz respeito aos arranjos. Embora os elementos sejam os mesmos que caracterizaram o som do ruivo: bateria, baixo, violão, guitarra e orgão. A novidade são estes arranjos mais pesados, sem no entanto, que haja um desaparecimento da estética do compositor.
No quesito literário, Nando continua cada dia mais inventivo e de uma ingenuidade preciosa, quando, em canções como Só Para So (feita para sua filha Sofia, vj da Mtv) diz em versos, sem qualquer vergonha: “Sophia Meu medo é te ver machucada/Errei por ter te machucado/Seu pai é um homem indomável/Um provável homem doce” ou mesmo na excelente canção Conta, na qual desabafa sobre a morte de sua mãe: “Nesse dia, o dia em que eu perdi minha mãe/Eu me dei conta que eu estava só por minha conta/Mesmo tendo o meu pai, esse que eu amo/A minha conta não fecha/Essa conta nunca mais fechou”
Em Drês não há músicas para levantar a agulha. Dá para rolar o cd inteiro, com a aquela boa sensação, de querer escutar o disco outras e outras vezes. Destaque total para a canção Pra Você Guardei o Amor (em dueto na belíssima voz de Ana Cañas), que possui uma divisão silábica e uma melodia das mais bonitas que Nando já compôs. Aliás, que fique registrado, o cantor conhecido também por sua fama de não ser fã da afinação, neste disco canta muito melhor.
Drês é um grande disco. Um dos excelentes lançamentos deste fraco ano de 2009. Que venham outros.
Para entender um pouco da biografia do cantor, acesse aqui.