Aliterasom

30 30UTC Julho 30UTC 2009

Uma nova palavra antiga

Arquivado em: Long Pray — Daniel Junior @ 23:48
Tags: ,

PalavrAntiga 2008 - Volume 01Achar um talento apreciável e decente no meio gospel é como achar agulha num palheiro. Em boa parte são sub-produtos dos sub-produtos dos sub-produtos do que existe de pior lá fora. E lá fora pode ser qualquer lugar.

Aqui no Brasil o “negócio” não melhora. As gravadoras (pouquíssimas) formam quase uma espécie de cartel independente e, manipulam os meios de comunicação tocando seu cast e promovendo (a duras penas) seus bandas, conjuntos, artistas.

Quando o Catedral no finalzinho da década de 90 se desvencilhou do rótulo gospel recebeu porrada de todos os lados. De traidores á vendidos. Conseguiram uma excelente repercussão enquanto era novidade para o meio midiático e após o cancelamento de contrato com a Warner, ficou num meio termo, que na minha opinião, em termos estratégicos, atrapalhou e atrapalha seu alcance. É uma banda boa e acho isso indiscutível. Já passou do purgatório de ter seu vocalista sempre associado a Renato Russo e possui qualidade na sua discografia. Infelizmente as pessoas falam de coisas que realmente desconhecem.

Muito bem, dito isso, preciso falar da alegria que tive ao conhecer o som do Palavrantiga já faz um tempo.

Todas as referências sonoras (Los Hermanos, Coldplay, Travis, U2) das quais sou fã, estão lá. E muito mais que um modelo estético inglês, o Palavrantiga (assim mesmo, tudo junto) escolheu um discurso longe do óbvio na música cristã. Preferiu falar de forma interessante e própria do seu amor à Deus. E digo, isso não é fácil.

Não é fácil por uma série de questões, entre elas porque a influência ruim da música dita cristã no Brasil, pode passar por cabeças tão jovens. E não foi o caso. O Palavrantiga soube perceber seu som através de suas referências sem pagar pau de forma idiota, apenas repetindo o discurso do Bono ou cantando Regis Danese, para parecer antenado.

A música dos “mulekes” é boa. É doce. E fala.

E isso é absolutamente importante porque a nova geração de ouvintes de música, seja de que estilo for, ouve “mais” música porque não há um discurso que cause inquietações ou ruídos na alma. Por isso, é mais fácil gostar de qualquer coisa, porque a canção não traz qualquer tipo de incômodo.

Muito melhor do que falar é bom que o leitor/ouvinte do Aliterasom escute os meninos do Palavrantiga, uma excelente dica para quem busca algo novo. Ah! “mas e o teor das letras”? Venhamos e convenhamos, você escuta tantas coisas que sequer sabe o significado, que ouvir algo emblematicamente cristão, não dói não é?

Voltamos em grande estilo á coluna Long Pray, com vocês, Palavrantiga

Diz que o vocalista não é a cara do Amarante?

www.myspace.com/palavrantiga

29 29UTC Julho 29UTC 2009

Slayer – Hate Worldwide (música nova)

Arquivado em: Notas e Pausas — Daniel Junior @ 20:04
Tags: ,

slayerJá é possível ouvir no MySpace do Slayer, seu novo single: Hate Worldwide.

E que porrada!!!

A turma de Kerry King mantem a agressividade do estilo e parece disposta a não abrir mão de seus principios musicais!!!

Para ouvir, clique aqui.

A Volta do Vinil e As Últimas de Chances de Redenção do Mercado Fonográfico

Arquivado em: Música — Daniel Junior @ 0:29
Tags: ,

LpglobocomExiste um clima no ar. Daqui e dali, papos rolam acerca da volta do vinil. Particularmente acho romantismo. Por uma série de motivos. O perfil do cara que gosta de música hoje é diferente de 20, 30 anos atrás, quando se curtia a capa, as mensagens subliminares, o encarte, as informações da ficha técnica e etc. Tenho conhecidos que ainda cultuam o bolachão, mas digo e “redigo”: puro fetiche. Sim, concordo plenamente que era bacana você ostentar vários e vários quadros que contavam uma história musical. O mundo mudou muito. Não existe fidelidade ao estilo. A palavra eclético cabe na boca de qualquer criança de 7 anos, que curte desde Claudia Leite até o Evanescence e ai daqueles que cultivarem qualquer espécie de preconceito. No Ipod e nos Mp3 Players tem de tudo mesmo. Como fazer com que uma geração que aprendeu a tornar tudo tão pequeno (em wma ou mp3 mesmo) e alcançável, saia por aí com 3, 4 lp’s debaixo do braço? Discos esses muito mais sensíveis e sujeitos aos famosos arranhões, que provocam os não tão pouco famosos pulos.

Existe uma lenda que tem mais relação com o puritanismo e ao fetiche citado: “Disco tem som melhor que cd”. Não, não tem. É mais grave. É. E a questão dos graves está mais associada ao equipamento utilizado na reprodução do material do que propriamente ao sistema de gravação. Não é uma tarefa árdua lembrar que os famosos “3 em 1″ vinham com um sistema acústico com caixas com twitters gigantescos, que, privilegiavam o sistema mais pesado e “bombado” do som. Hoje, é tudo tão mini e tão micro, que é IMPOSSÍVEL que se tenha a mesma sensação de grave que se tinha há um tempo. Esse constatação é básica.

pickupMesmo assim, a notícia no G1 promete fazer gozar aos borbotões os tarados por capas de papelão, encartes, albuns e informações altamente relevantes como estúdio, agradecimentos e outras cositas masA Polysom, única fábrica de discos de vinil brasileira, “re-abrirá” suas portas, prometendo uma produção de 40 mil discos/mês. O empresário João Augusto, promete esforços majoritários para, manter um preço nacional, longe do que é pago lá fora para confeccionar a bolacha.

Como novidade, sensacional. E sem querer parecer agoureiro, espero que realmente dê certo. Há uma overdose de dvds no mercado, alguns de qualidade extremamente duvidosa e que, mesmo com preços atraentes, não consegue seduzir ao consumidor final.

Bem, agora falta a volta da fita cassete, dos Aquaplays, do Atari, da máquina de datilografar, do chiclete Ploc… :) Brincadeiras à parte, vejo um enorme desespero por parte de quem TANTO lucrou na história do mercado fonográfico; com discos e bootlegs oficias com preços INSANOS, sem pena de mim ou de você, que se lembra da sensação maravilhosa do dinheiro suado investido no disco do Bozo… :(

See you later!

27 27UTC Julho 27UTC 2009

Paul McCartney no Brasil em 2010

Arquivado em: Notas e Pausas — Daniel Junior @ 23:23
Tags:

paul-no-brasil-fotoSempre que me pergunto quem eu gostaria de ser, caso não fosse Uncle Aliterasom, respondo a mim mesmo: Paul McCartney. Existem dezenas de motivos óbvios, mas o principal é que ele, para mim, é um dos caras mais talentosos em todos os sentidos musicais. Excelente baixista, ótimo cantor, maravilhoso compositor. O “cara” dos Beatles. Autor de canções como “The Long And Winding Road”, “Yesterday” e “When I’m 64″. Um gênio.

E este cara estará no Brasil, segundo o site Songkick, em abril de 2010, tocando no Rio de Janeiro, no Morumbi e em Brasília, na Esplanada dos Ministérios. Quem me conhece sabe que eu sou um cara preguiçoso para tais eventos, mesmo que a preguiça envolva pessoas que valorizo e amo como Paul. Ir para o Maraca (o show será lá), enfrentar muvuca, trânsito infernal, preço absurdos (eu imagino, nada foi divulgado ainda) já me deixa com aquela vontade de ficar em casa mesmo. Sem contar, que um artista deste quilate, possivelmente, a Globo passará o show quase em tempo real. Tal qual como fez com o U2 (eu fui em Sampa!!!) e com o The Police.

Bem, pode ser até que eu mude de idéia, mas o Aliterasom não está aqui para divulgar se eu vou ou não! E sim para falar das datas do velho Macca no Brasil:

16 Abril 2010   -  Maracanã    -   Rio de Janeiro

18 Abril 2010  -  Morumbi    -     São Paulo

21 Abril 2010  – Esplanada dos Ministérios – Brasília

Seis dias no Brasil (no mínimo) significa que o eterno Beatle terá o seu “mês” no Brasil. Cobertura de vários canais, entre eles Mtv (seria surpresa se não), Globo, Record, Multishow e etc… Já estou até vendo, Zeca Camargo entrevistando (ou a Patrícia Poeta) para o Fantástico e quem sabe, o McCartney, pela primeira vez no Jô Soares.

Bem, prepare aí seu bolso. Shows deste calibre custam entre 150 e 250 reais. Isso se você não for um VIP. Caso seja, não precisa se preocupar em juntar. Agora, se você for, e quiser me “bancar”, de repente, deixo a preguiça de lado… :)

Para matar saudades de Paul, um videozinho esperto de uma das músicas mais bonitas ao lado do mestre Stevie Wonder, Ebony and Ivory:

25 25UTC Julho 25UTC 2009

Sexta Básica – Ira! – Isso é Amor (1999)

IraIssoéamorE lá se vão 10 anos do lançamento do disco de covers da falecida banda Ira!

Lamento como as coisas ocorreram. Obviamente lamento o que soube pela imprensa e por alguns vídeos lamentáveis, sempre da parte do Nasi. O restante da banda preferiu a discrição. E concordo que, se o drama se tornasse mais público do que se tornou, o inimaginável poderia acontecer, talvez, uma tragédia maior.

Vamos falar de música?

Bem Isso é Amor (1999) não é um disco muito fácil de ser encontrado por que é um daqueles que foi produzido sob a batuta da também falecida Abril Music. Desafio você a procurar vários discos, não só da Abril como da Paradoxx. O resultado é decepcionante e tenho muita curiosidade de quem é a custódia destes fonogramas.

Não é um cd caça níquel, aproveitador. Porque a banda se propôs a homenagear alguns artistas e também suas canções sem soar tola. Vamos faixa por faixa, de forma bem basica.

Bebendo Vinho (Wander Wildner) – Com certeza você já deve ter visto o compositor desta música em algum momento, principalmente na Mtv. O gaúcho com dentes posicionados esquisitamente em sua boca, fora membro de uma banda chamada Replicantes e que ficou muito conhecida nos anos 80. O teor da canção é simples: um gaúcho (por que ser?) falando de sua estadia no Rio de Janeiro e de como se senti só. Um cover nada óbvio de um artista de véu cult.

Teorema (Legião Urbana) – A canção que faz parte do primeiro disco da LU tem aqui um arranjo meio Beatles. Muito violão e uma guitarra bem interessante. É uma pena que Nasi não tenha utilizado-se do seu parceiro Scandurra para fazer o belo arranjo vocal que Renato fizera em sua debut disco.

Telefone (Gang 90) – Em 83/84 essa música tocava muito no rádio. Era o Gang 90. Personificado pela figura de seu vocalista e poeta Julio Barroso (morto em 1984 caindo da janela de seu apartamento em SP). Nesta versão, Fernanda Takai e sua belíssima voz dão doçura ao pequeníssimo dueto com Nasi. Uma excelente devida homenagem a uma das bandas de carreira curta, mas percussora do rock brasileiro, princialmente no RJ.

Chorando pelo Campo (Lobão) – Sou fã do Lobão  de graça e esta é uma das canções mais lindas que ele compôs. Tem uma melancolia rara nas canções de Lobão, um cantor mais conhecido por sua veia verborrágica desbocada e seus versos quase sempre assimétricos. O arranjo tem a cara do Ira! (e não poderia ser diferente). Quase um surf music. Linda canção.

Flashback (Dalto) – O Dalto é um cara que tem uma história na música brasileira muito tímida.  Embora fosse um sucesso radiofônico grande nos finalzinho dos anos 70 até 85/86. “Muito estranho” foi o seu maior hit. É da mesma geração de Fábio Jr, Gilliard, Jessé, embora, fosse um compositor (estes são mais conhecidos como intérpretes) muito sofisticado. Sempre fará parte daquela galeria de artistas injustiçados e que terão algum valor após suas mortes e creditados como grandes em documentários, filmes e homenagens.

Um Girassol Da Cor De Seu Cabelo (Lô Borges) - Conheço pouquíssima coisa do famoso Clube da Esquina, aliás, um dos menos documentados movimentos da música brasileira. Sabemos muita coisa do BRock, da Tropicália, da Jovem Guarda e até da lambada, mas a fase que contemplou Lô Borges, Flávio Venturinni, Wagner Tiso, Milton Nascimento, mereceia melhor destaque. Aqui, nada melhor do que chamar um autêntico mineiro, Samuel Rosa, para fazer referência a um dos seus ídolos, Lô Borges. Gosto muito dos agudos finais de Samuel, que sempre teve um relacionamento com o Ira! de recíproco respeito e amizade. Uma excelente versão.

Mudança de Comportamento (Ira!) – Primeiro disco do Ira! e a música soa tão moderna como se tivesse sido composta hoje. Uma auto-homenagem merecidíssima e demonstrando que a proposta musical do Ira! manteve-se fidedigna ao seu estilo. Uma escolha plenamente aceitável. Vale ouvir também conferí-la no Acústico do Kid Abelha. O Ira! como venho falando durante o post, sempre teve um respeito muito grande por parte de sua geração.

O Que Me Importa (Cury) – Essa música fez o maior “auê” quando regravada pela diva Marisa Monte, 4 ou 5 anos após a versão do Ira!. Isso é um fenômeno que vi acontecer em mais duas ocasiões. A primeira delas quando Renato Russo regravou Cathedral Song (Tanita Tikaran) em inglês e Zélia Duncan, em mesmo período fez sua versão em português e ganhou as rádios até encher o saco, com o perdão da expressão. A outra vez foi o Biquini Cavadão quando em seu cd “Escuta Aqui”, gravou “Pra Terminar”, canção de Herbert Vianna. Alguns anos depois, a talentosíssima e igualmente chatíssima Ana Carolina deu sua cara a canção e mais uma vez, dominou as rádios, com seu vozeirão. Impressionante. Mesmo assim, confiro um empate técnico entre a versão do Ira! e da Marisa.

Jorge Maravilha (Julinho da Adelaide) – Sei pouquíssimo sobre esta canção embora ela me seja bem familiar. Imagino que ela foi fruto de alguma discussão na escolha do repertório para este disco, uma vez, que é bem diferente do que o Ira! fez em todos os seus discos até aquele momento. É a que menos gosto. Tem aquele jeito samba-rock muito conhecido por compositores como Jorge Ben Jor e Bebeto.

Abraços e Brigas (Scandurra) – Acho que essa é uma das únicas músicas inéditas deste disco, se não é da carreira solo de Edgar. É uma boa música, mas não acrescenta muita coisa ao projeto.

Sentado À Beira do Caminho (Roberto Carlos) – Essa é a época boa do Roberto. Onde ele e Erasmo eram cronistas musicais de primeira linha. Uma homenagem no nível que só o Ira! poderia oferecer. Uma letra excelente, um arranjo que tem umas guitarras que lembram Radiohead. Muito bacana.

A Vida Tem Dessas Coisas (Ritchie) – Como são as coisas… o Ira! coloca na “orelha” de seus fãs, referências interessantes da música brasileira, que, em 99, passariam batidas (não havia o revival ou Festa Ploc) e desconhecidas. O Ritchie era um compositor muito interessante. Como um cantor inglês conseguiu adquirir um dna tão nacional na sua arte, vindo de outro continente? Não sei. Sei que esta canção também tocou MUITO no rádio. Lembranças boas… :) Vale ressaltar, Bernardo Vilhena um compositor prolífico dos anos 80, aparece mais uma vez nesta canção, pois em Chorando Pelo Campo, ele é co-parceiro de Lobão.

Alegria de Viver – Uma versão de Scandurra, que aqui aparece cantando. Gosto da voz do excelente guitarrista, mas esta é mais uma canção, que sinceramente, não acrescente nada ao projeto. Poderia ser utilizada em outra ocasião. Além de ser bem repetitiva.

Minha Gente Amiga (Ronnie Von) – Surpreendente a inclusão desta canção, por seu cantor e compositor – Ronnie Von – e porque ela é uma espécie de música símbolo de uma geração. Tipo aquelas músicas que são emblemáticas de uma época. Era muito comum nos anos 70 e 80 canções-convites. Aquelas nas quais na letra, o compositor felicitava/agradecia/cumprimentava todos por um motivo específico ou não. Neste caso, aqui serve como uma “despedida” do cd ou um “grande abraço” a todos os homenageados do cd. O disco termina muito bem.

Ufa! Semana que vem tem mais! That’s All Folks!!!

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.