Aliterasom

28 28UTC Outubro 28UTC 2009

Um pouco sobre Neal Morse

O músico americano acaba de lançar com seu projeto Transatlantic (capa abaixo), o álbum Whirlwind. Neal Morse, foi durante anos guitarrista da banda de prog Spock’s Beard e após sua conversão, dedicou-se a carreira solo e ao próprio Transatlantic, com o baterista do Dream Theater, Mike Portnoy. Morse é um músico de muita eficiência e sentimento. Isso pode ser comprovado no dvd Sola Scriptura and Beyond. Em um show de quase 4 horas (!), o músico se expressa com sua banda em show gravado na Holanda (!!) de forma bastante carismática e com uma técnica apuradíssima. Morse já não é mais um garoto, mas suas composições soam autênticas e sem referências explícitas.

O disco Sola Scriptura – que gerou o dvd – já é um “show” à parte. A quantidade de informação musical deixa quem ouve boquiaberto. Particularmente gosto de artistas que não são rasos em suas propostas. Além de composições impressionantes, as letras que discorrem sobre a Reforma Protestante, através de uma das teses desenvolvidas por Martinho Lutero e pregado (literalmente) nas portas da Igreja Católica no século XVI. Não é um tema que pode ser abordado de qualquer maneira e Morse capricha na estética sonora.

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Não é por isso que a música do multi-instrumentista é melhor do que de outras. Pura bobagem achar que música boa é a que trata de assuntos profundos e/ou sofisticados, mas diferente de outras bandas “metidas á besta” que gostam de tratar de temas elaborados e acabam sendo superficiais nas abordagens. Enfim, cada um da sua visão de acontecimentos e fatos.

Real mesmo é a qualidade de Neal Morse tanto como cantor, tecladista e guitarrista. Não sei se o artista veio alguma vez ao Brasil, mas se não, lamentável. Sua postura de palco e sua entrega ás canções emocionam e cativam. Fui um dos que ao assistir o imenso show do DVD, me senti plenamente seduzido pelo entendimento musical que o artista tem de sua obra e pelo fascínio e simplicidade com que sua devoção espiritual (no palco) se dá.

… Sem contar que é um roqueiro!

Dos melhores e poucos são, os músicos que dominam tão bem dois instrumentos dificílimos, á saber, guitarra e teclado. Juntamente com ele, Tony Macalpine, outro monstro, mais voltado para o fusion.

Se você não conhece o trabalho de Neal Morse, este quase cinquentão, que possui trabalhos de qualidade inspiradora, dê uma olhadinha por toda a internet e se impressione. Oxalá, todos os artistias que tivessem um encontro com o Cristianismo em suas vidas, fossem impulsionados a fazerem o melhor, em excelência, assim como Morse faz com suas canções.

26 26UTC Agosto 26UTC 2009

Long Pray – Stryper – MURDER BY PRIDE (2009)

Arquivado em: Long Pray — Daniel Junior @ 23:16
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StryperMBP2Parece que o tempo não passou para o Stryper. A pegada é a mesma dos primeiros discos dos pastores. MURDER BY PRIDE é um excelente presente para talvez a maior banda de white metal que já existiu. Isso se deve a mesma ser precursora de um estilo (gospel) que sempre foi alvo de preconceito (besta) que teima em não olhar as qualidades para bandas deste calibre.

Ao mesmo tempo que dizer que pouca coisa mudou e isso soar de forma evidente através do som, pode ser também um pouco decepcionante para quem esperava algo novo mesmo. Não. MURDER BY PRIDE tem aquele som anos 80, com bastante vocal e firula. Economia nos teclados, mas bastante vigor nos solos de guitarra.

Michael Sweet mantem a voz de garoto durante todo o disco com destaque para “4 Leaf Clover“, com excelente riff. Parece pacas aqueles momentos bem glam do Bon Jovi (por onde andará?).

O clima tem todo aquele clima festeiro que caracterizou o rock glam dos anos 80, embora as letras sejam mais reflexivas e não façam apologia a sexo e drogas. O Stryper para quem não sabe, já até colocou música em novela global… :)

E lógico que não poderia faltar a balada… “Alive” se encarrega de com seu piano manjado (sim, todas as bandas dos anos 80 lotam suas produções de clichês… Fazer o quê? É uma opção estética) e seu coro clamando por isqueiros (?) para o alto, iluminando os palcos e arenas que o Stryper é (ao menos era) capaz de encher.

Murder By Pride” a música que dá título ao cd mantem o ritmo de todo o disco, guitarras graves e boas harmonias. Confesso que é preciso ser fã para sobreviver há tantos coros e duetos … :(   Se você não gosta de surpresas o disco acerta em cheio!

Mais destaques para “I Believe” (o Stryper sempre tem uma música com Believe no título), “Run In You” (faixa bem diferente do ritmo de todo o disco – apresenta um Stryper menos Stryper) e “My Love“, um excelente riff e muito punch.

Atual Formação:

30 30UTC Julho 30UTC 2009

Uma nova palavra antiga

Arquivado em: Long Pray — Daniel Junior @ 23:48
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PalavrAntiga 2008 - Volume 01Achar um talento apreciável e decente no meio gospel é como achar agulha num palheiro. Em boa parte são sub-produtos dos sub-produtos dos sub-produtos do que existe de pior lá fora. E lá fora pode ser qualquer lugar.

Aqui no Brasil o “negócio” não melhora. As gravadoras (pouquíssimas) formam quase uma espécie de cartel independente e, manipulam os meios de comunicação tocando seu cast e promovendo (a duras penas) seus bandas, conjuntos, artistas.

Quando o Catedral no finalzinho da década de 90 se desvencilhou do rótulo gospel recebeu porrada de todos os lados. De traidores á vendidos. Conseguiram uma excelente repercussão enquanto era novidade para o meio midiático e após o cancelamento de contrato com a Warner, ficou num meio termo, que na minha opinião, em termos estratégicos, atrapalhou e atrapalha seu alcance. É uma banda boa e acho isso indiscutível. Já passou do purgatório de ter seu vocalista sempre associado a Renato Russo e possui qualidade na sua discografia. Infelizmente as pessoas falam de coisas que realmente desconhecem.

Muito bem, dito isso, preciso falar da alegria que tive ao conhecer o som do Palavrantiga já faz um tempo.

Todas as referências sonoras (Los Hermanos, Coldplay, Travis, U2) das quais sou fã, estão lá. E muito mais que um modelo estético inglês, o Palavrantiga (assim mesmo, tudo junto) escolheu um discurso longe do óbvio na música cristã. Preferiu falar de forma interessante e própria do seu amor à Deus. E digo, isso não é fácil.

Não é fácil por uma série de questões, entre elas porque a influência ruim da música dita cristã no Brasil, pode passar por cabeças tão jovens. E não foi o caso. O Palavrantiga soube perceber seu som através de suas referências sem pagar pau de forma idiota, apenas repetindo o discurso do Bono ou cantando Regis Danese, para parecer antenado.

A música dos “mulekes” é boa. É doce. E fala.

E isso é absolutamente importante porque a nova geração de ouvintes de música, seja de que estilo for, ouve “mais” música porque não há um discurso que cause inquietações ou ruídos na alma. Por isso, é mais fácil gostar de qualquer coisa, porque a canção não traz qualquer tipo de incômodo.

Muito melhor do que falar é bom que o leitor/ouvinte do Aliterasom escute os meninos do Palavrantiga, uma excelente dica para quem busca algo novo. Ah! “mas e o teor das letras”? Venhamos e convenhamos, você escuta tantas coisas que sequer sabe o significado, que ouvir algo emblematicamente cristão, não dói não é?

Voltamos em grande estilo á coluna Long Pray, com vocês, Palavrantiga

Diz que o vocalista não é a cara do Amarante?

www.myspace.com/palavrantiga

12 12UTC Março 12UTC 2009

Oficina G3 – Depois da Guerra (2008)

Arquivado em: Long Pray — Daniel Junior @ 18:07
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coverddg

Eu não escondo de ninguém, sou fã de rock. No geral, realmente me identifico com o peso das guitarras, com o groove do baixo e com aquela batucada, que uma boa bateria pode causar no coração de quem escuta. Mesmo assim, eu estou sempre ávido por encontrar alguma coisa que me comova. Sempre digo: há música comovente e música impressionante. Quando possível, os dois fatores (comoção e impressão) tornam a arte produzida numa expressão que não tem morte, sem fim. Ligue o rádio e identifique quantas canções continuam tocando, tocando, tocando…

Eu conheço o Oficina G3 de ouvir falar, há pelo menos 15 anos. Eu sempre tive (e não tenho vergonha de dizer) um certo pre-conceito com o OG3 porque, para mim, uma banda, um artista da música, precisa ser rico melodicamente. E, na época, quando o Luciano Manga era vocalista da banda, eu ouvia uma grande banda, com músicos muito bons, mas , com músicas muito chatas, forçadas.

Passado 3 vocalistas, incluindo o Juninho Afram que é o guitarrista e talvez, um dos melhores do Brasil em sua categoria, ouvi o pesado Depois da Guerra. É um disco diferenciado. Um disco com uma produção no nível de banda gringa, sem historinha, com um texto muito objetivo: não percam tempo de lutarem entre si (cristãos), há uma guerra a ser vencida.

A banda é excelente, convocou um grande vocalista, Mauro Henrique, para assumir os vocais agressivos e incisivos. Coisa de quem canta com a alma. Hora de gritar, hora de gritar, hora de suavizar, deita-se numa pluma. Juninho Afram dispensa comentários. Timbres aprovadíssimos, velocidade, técnica, harmonia tocante, frases bem escolhidas. Duka Tambasco, a competência dos contra-baixistas que aparecem quando não aparecem, se é que você me entende… :) e Jean Carlos nos teclados, naquele estilo que virou quase uma tendência no rock prog: saem as cordas e os strings mais graves, entram as notas com riffs mais agudos e percussivos, muitos orgãos e vários solos.

Ouvidos pueris e metidos á puros rechaçarão o trabalho. Afinal de contas não tem letra falando de anjo, espada, vitória, projeto, sonhos, etc… É um disco duramente cantado, quase “vomitado” no ouvido do fã (ou não), mas é belo, é porque não dizer, histórico.

Histórico porque coloca o OG3 no lugar dele: entre os grandes. É disco para ouvir sem pular faixa e eu imagino como será a turnê deste disco: tão intensa quanto o repertório.

Como eu já fiz um review para o site whiplash.net, aqui você pode acompanhar um pouco da história da banda paulista, que vive uma grande fase.

Abaixo uma matéria sobre a produção do disco, pelo programa CONEXÃO GOSPEL

4 04UTC Março 04UTC 2009

Long Pray – O assunto é gosssspel…

Arquivado em: Long Pray — Daniel Junior @ 21:18
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mahaliajackson

Desculpem leitores mas este post não terá imagem (pelo menos até eu chegar em casa), porque eu queria inaugurar o Long Pray de todas as quartas, sobre o que rola no mundo gospel, estilo, ainda solenemente ignorado pela mídia no que diz respeito a notícias, debates, divulgação de novos e bons trabalhos. Sim, já foi bem pior. Agora, os campos midiáticos preferem dar espaço aquilo que existe de pior, no meio cristão…

Vem ocorrendo um fenômeno de ordem social, que pode ser estudado com cuidado, atenção e valor devido, que é o poder retumbante que elevou os ambulantes (carinhosamente chamados aqui no Rio de camêlos) á novos modelos de jabá. Para quem não sabe o que é jabá, eu faço uma explicação simples e curta. Jabá foi a forma como ficou conhecido o pagamento das gravadoras ás rádios mais populares, afim de que tocassem seus contratados, a saber, bandas e artistas. Se você acredita naquele lance de “ligue para cá e vote na sua música preferida e quem sabe ela vai tocar nas + tocadas do dia”, esqueça.

Tudo bem, a telefonista te atendeu com educação e até deixou você mandar um beijo para seu locutor querido, mas rádio em qualquer época e em qualquer país, toca o que lhe “mandam”. Com exceção das rádios amadoras, as grandes rádios do Dial FM precisam sobreviver de alguma forma e é desta maneira que geralmente, isso acontece: com o apoio das gravadoras.

E todo mundo sabe que com os compartilhadores de P2P (Kazaa, Emule, Shareeza…) e com os blogs de mp3 ao redor do mundo, conseguir a sua música preferida tornou-se a coisa mais fácil do mundo… Fácil mesmo. Me manda um e-mail que eu ensino, caso você não saiba…

E o kiko?

Bem, os camêlos, dotados da sabedoria popular, passaram a, repetidas vezes em diferentes lugares, a tocarem as mesmas músicas de determinados artistas. Este mesmo modus operandi, já acontecia, com frequencia (sem trema), com o funk. Mas, simpatizantes de um grupo ou de um artista, simplesmente transformaram canções que ouviram em um programa de tv ou mesmo no rádio em mega execuções e sucesso para estes mesmos artistas. A música gospel, foi a maior favorecida nesta histórinha toda…

E quen nunca ouviu falar do Toque No Altar, no Diante do Trono, no Lázaro, no Régis Danese… ?Sim, estes “artistas” tocaram em rádio sim, mas, em qualquer ambulante, daqui da cidade do Rio de Janeiro, estas músicas são executadas dolosamente, fomentando um consumo quase doentio em cima delas. Coisas assim, no mesmo patamar por exemplo, do Pe. Marcelo ou dos Rebeldes.

O “bacana” é que não toca uma música que preste. E como diz o Amarante: Desculpem a sinceridade, mas o lixo com luz cristã que tomou conta das ruas nos últimos meses, explica um pouquinho porque o cristianismo tupiniquim é um modelo ferrado, ineficiente, contradizente, contraproducente e que se contenta com o brilhareco dos seus eventos, cada dia mais populares.

A música cristã de boa qualidade (eu sei, eu sei, qualidade é ponto de vista), não toca em rádio, em camêlo e na casa de ninguém. Não tem apoio do meio cristão e muito menos do meio secular, por um motivo simples: não vende. E não vende porque não diz o que as pessoas querem ouvir, mas, este é um outro assunto…

De qualquer forma, toda quarta-feira, aqui no Long Pray (sim, eu adoro trocadilhos) eu vou jogar em cima de vocês, um pouco do universo gospel, que tem sim, coisas muito legais de ser ouvidas por todos. Não irei me render apenas a música nacional (essa, de baixíssima qualidade), mas á música gospel internacional, que, tem representantes muito curiosos na sua história. Por exemplo, você lembra de uma banda que tinha uma loirinha magrinha que cantava em seu refrão : Kiss me out of the bearded barley/Nightly, beside the green, green grass? Sim… Essa loirinha era a vocalista do Sixpence None The Richer, banda pop gospel, que faz sucesso até hoje nas rádios brasileiras, com Kiss Me e There She Goes (chegou a ser veiculada  num comercial de shampoo aqui no Brasil.

Vou me colocar ao terrível sacrifício de até escutar o que eu não gosto, para contar para vocês a minha tosca e humilde opinião… Vai ter de tudo, aguardem…

Então é isso pessoal… Long Pray inaugurado, eu digo câmbio e desligo!

Aqui, uma das minhas bandas preferidas… Catedral, num bom momento, cantando, um dos seus grandes sucessos: Eu amo mais você do que eu.

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