Aliterasom

20 20UTC Novembro 20UTC 2009

Vida Louca… Vida Breve

Arquivado em: Música — Daniel Junior @ 12:45
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Eu sempre fui “mais” fã do Renato (Legião) do que do Cazuza, em todas as suas fases. Achava o cantor legionário mais sofisticado e profundo, para falar, dessas dores cardíacas que os adolescentes e adultos, conhecem bem, de tanto sentir.

Quando me detive em colecionar o maior número de cds de rock brasileiro, construindo um acervo que deixa saudade de tantos momentos, reparei que Cazuza era realmente especial. Nem tanto por sua passagem pelo Barão, que possui clássicos como Bete Balanço, mas em sua carreira solo, que foi curta mas imensamente explorada, principalmente após sua partida.

Como cantor, Cazuza lembrava qualquer vizinho cantando impacientemente em um karaoke maldito, mas como intérprete de suas canções,  Agenor exalava autenticidade. E o que pode parecer uma redundância rasgada, pode se explicar quando o conceito de autenticidade é o que mais se aproxima de originalidade e ser original musicalmente falando, é uma tarefa pra lá de difícil.

Se vocês repararem sem qualquer acuidade, perceberão que Cazuza por vezes “citava” suas letras ao invés de cantá-las. Suas letras possuíam métrica muito particular, impossibilitando a construção de melodias com refrões mais açucarados, de tantas possíveis rimas. Talvez quem tenha contribuído fortemente com isso, foi o seu contato com o blues do Barão, que sempre foi mais blues do que rock. É que no Brasil, tem guitarra, é rock.

Lamento profundamente, que genialidade quase sempre tenha relação com vida conturbada, exageros e outros lugares comuns de quem prefere viver a mil por hora. Vendo o depoimento dos amigos que ele deixou, todos possuem além das lágrimas, um certo indulto pra tudo que o poeta fez fora do palco. É tão óbvio dizer isso, mas foi exatamente o privado é que tornou sua vida pública mais curta…

Cazuza tinha uma inquietação própria daqueles que precisam dizer tudo, todos os dias. Sua música se parece pouco com qualquer coisa que se conheça na música brasileira ou mundial. Sua forma de compor emprestava uma assinatura indelével para sua obra, que é respeitada por todos, público e crítica.

Gosto de medir a importância de um artista pela saudade que ele causa e Cazuza ou a ausência de sua presença (como poetizou Ezequiel Neves, seu “tudo”, no programa de tv global Por Toda A Minha Vida) tornam os tempos de hoje no rock brasileiro, piores do que eles aparentam ser. Os tributos, homenagens, coletâneas, não são apenas oportunistas (e sempre serão), mas também o clamor do barulho das máquinas, pelo fim da produção, de música relevante no nosso país.

Durante muito tempo exorcizei do meu parco vocabulário a expressão “música inteligente”, porque música não é pra ser entendida, mas percebida pelos sentidos da alma e do corpo, portanto, aplicar teste de QI em música, é colocá-la em garrafas de vinho, com ano de produção e data de validade, mas, não dá pra enquadrar a música de Cazuza, no Barão ou fora dele, como música comum, ordinária.

Outra característica presente na obra genial de Cazuza é a melancolia. E uma sequidão, muito própria do concretismo que parece ter sido o estilo literário preferido do músico carioca. A forma dura e coloquial de expor sentimentos em versos como “Eu vi a cara da morte e ela estava viva” ou mesmo frases  como “vida louca, vida breve, se eu não posso te levar, quero que você me leve”. O molho da música, tira o peso filosófico e existencial de dizer que a vida não é mais a passageira, mas a passagem para o outro lado de qualquer coisa desconhecida.

A música pode ser um carro fantástico ao passado. Te leva por lugares conhecidos, mas que fazem ainda nosso olhar brilhar; como se não fossem avistados ou visitados por tantos outros que por ali mesmo passam, todos os dias. A música aciona o botão da lembrança, para sensações já vividas e experimentadas e mesmo assim, azeita o gosto novo do poder de se emocionar, como se a voz de um mudo, pudesse te cantar a vida.

16 16UTC Novembro 16UTC 2009

Trivium – Ascendancy

Arquivado em: Música — Daniel Junior @ 21:02
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trivium-ascendancyQuer escutar um disco pesado e com ótimas guitarras? Ascendancy do Trivium é impressionante maravilhoso de escutar! Ah… Antes que você pense que é hard, heavy, já vou avisando: é trash/death da melhor categoria. Com riffs lindos e vocais guturais e também bem cantados. Baixei no Combe do Iommi e fiquei “de cara”.

A faixa  Pull Harder On The Strings Of Your Martyr é para levantar qualquer defunto. Sem contar que existem solos!!! Ah que saudade de escutar uma guitarra sobre a outra, com beleza rara. Uma porrada estrondosa no ouvido, mas sem deixar de lado a técnica e uma apurada mixagem, que não deixa escapar nada da sonzeira do Trivium.

Fico feliz em dizer que esta banda que completou 10 anos recentemente (eles são de 1999) é americana. Por que? A gente sabe muito bem que os Estados Unidos estão cagando para o rock. Seus maiores representantes raramente lançam discos que chamem atenção dos fãs, que dirá do público em geral. E esta banda de Orlando, de 10 anos e pouquíssimos discos (no total são 4) parece ter um compromisso com o rock pesado, com passagens que lembram Slayer e ás vezes, bandas de Metalcore.

Um som assombrosamente gostoso de ouvir. Destaque absoluto para a dupla de guitarristas Matt Heafy (que também é vocalista) e Corey Beaulieu. A sincronia entre eles é notória. Gosto sempre de fazer menção a qualidade de som do disco (que é de 2005, portanto 4 anos atrás), que possui uma excelente qualidade de escolhas de timbres e muito peso.

Destaque para todas as faixas, especialmente a canção que dá título ao disco Ascendancy. Está entre meus discos favoritos. Pena que tenha descoberto tardiamente… Se eu baixar outros, venho aqui comentar.

Discografia

2 02UTC Novembro 02UTC 2009

Fernanda Takai e os orfãos do rock nacional

Arquivado em: Música — Daniel Junior @ 14:03
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A carreira bem sucedida de Fernanda Takai como cantora solo, explica um pouco do cenário devastado do rock brasileiro. De voz inconfundível e não presa pelas arestas da estética roqueira, Fernanda no hiato do Pato Fu, se viu “obrigada” em fazer seu dever de casa e manter sua vida na arte, arrumando sua carreira. Essa história tem muita relação com a carreira de Roberto Frejat, com a de Sérgio Brito, com a de Paula Toller e etc…

Eles parecem admitir que “não-dá-mais”. Suas bandas não produzem discos que chamem a atenção do novo público e o que diremos do velho. Obviamente que se perguntarmos a cada um deles, dirão que não. Que estão motivados e que as bandas voltam em “20..” .

É muito saudável o surgimento de uma nova geração, de novos músicos, com novos textos e novas coisas a serem ditas. Aí é que está. Gosto de avaliar a importância de artistas de acordo com a falta que eles fazem ou fariam dentro de um contexto e, por incrível que pareça a presença das que existem é tão desprovida de “saudade”, que há pouca relevância na história dela.

Nos próximos dias, irei baixar os discos mais recentes das bandas mais populares no Brasil: Cine, NXZero, Fresno. E de forma honesta, vou dizer a quantas anda o mundo do rock pop atualmente.

19 19UTC Outubro 19UTC 2009

Artistas Nas Quais Acredito

Arquivado em: Música — Daniel Junior @ 10:51
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O movimento de renovação de música pop no Brasil é grande embora seja desconhecido da maioria das pessoas, inclusive eu. Através das amizades e de alguma pesquisa nas comunidades do orkut ou no google mesmo, é possível conhecer alguns novos trabalhos. Aprová-los ou reprová-los de acordo com os critérios de cada um. Ás vezes passa pelo gosto, ás vezes passa pela técnica, mas também ás vezes, pode rolar uma empatia logo de primeira. Eu quero dar uma moral aqui para bandas que não são conhecidas no mainstream (será que isso ainda existe?) mas que fazem um som muito bacana.

CONTRAPLONGE

Um dos primeiros posts do Aliterasom é sobre a banda de Guga Brandão. Não sei se enquadrá-los em música pop seria reduzir um pouquinho a proposta da banda carioca. Banda muito competente e sem preguiça na hora de compor: arranjos apurados, guitarra que grita e chora e muita sintonia entre o power trio. Acho que 2010 é o ano do CONTRAPLONGE

MySpaceContraplonge

VINDA

Já converso com Vinicius há quase um ano e pelas poucas conversas dá pra ver que o cara é um guerreiro. Ele, o mentor do VINDA, foi para São Paulo, quem sabe para buscar mais destaque e visibilidade. De fato, no RJ, se não for pagode, funk é muito difícil vencer com o rock. Essa cultura de que carioca gosta de “samba, praia e mulata”, atrapalha um pouquinho… As composições do VINDA são assimétricas, ou seja, não possuem muito compromisso com versos redondos e refrão grudento, por isso, mostra personalidade na feitura das canções. Tem um “q” de alternativo, mas uma canção como “Solução” tocaria em qualquer novela da Globo. Gosto de canções assim, sou suspeitíssimo pra falar.

MySpaceVinda

PALAVRANTIGA

Gosto muito do palavrantiga. Eles são de MG/ES e fazem um som bastante calcado no Coldplay. Ainda este ano (quem sabe) tem entrevista deles aqui no Aliterasom. O estilo é gospel mas e daí? Sei que o tem sido produzido no Brasil não anima muito, mas é sempre bom dar uma oportunidade a alguns sons que não tocam em rádio e pode crer: a maioria dos artistas/bandas fora do dial são interessantes para serem conhecidos, o palavrantiga não fica atrás

MySpacePalavrantiga

VELHO IRLANDES

Pois é… depois que uma banda coloca o nome de VELHO IRLANDES vale tudo não? Esqueça qualquer tipo de preconceito com relação ao nome, é uma banda muito, muito legal… Não dá pra deixar de perceber a influência GIGANTESCA dos Los Hermanos no som da banda… e isso é absolutamente positivo. Pitadas do falecido GRAM, também fazem parte desta panela que mistura uma certa musicalidade “brasileira” (parece ridículo dizer isso mas há bandas nacionais que soam como gringas)… Lembra Pato Fu, em alguns arranjos…

MySpaceVelhoIrlandes

NONSENSE

Poxa, não posso deixar de fazer um jabá para meu amigo Bruno com seu NONSENSE. Das bandas ditas aqui talvez seja a mais inclassificável… No início do trabalho dos meninos, a banda trabalhava com trilhas de desenhos animados, com arranjos absurdamente improváveis e com desfechos imprevisíveis. Um trabalho autêntico e que já recebeu notoriedade aqui no RJ em alguns meios de comunicação. Muito pesado… se você gosta de Mr. Brungle, fique á vontade…

MyspaceNonsense

R.SIGMA

Conheci através do Controle Remoto (do meu amigo Felipe Neto) e fiquei surpreendido… você já pensou se o Franz Ferdinando fizesse música boa, com atitude não falsa e com o peso sincero que você espera. Muito bem, pode curtir o R.SIGMA e a suas canções, nada imitáveis ou parecida com as coisas que você costuma escutar no rádio (fuja do rádio meu filho!). Aposte neles!!!

MyspaceRSigma

Não há gradação no que foi escrito aqui, ou seja, o CONTRAPLONGE é o melhor e o NONSENSE a pior… nada disso. Foi escrito á medida em que as bandas me vieram ao meu pensamento. Dê uma oportunidade por conhecer outras bandas (o rock nacional agradece) e pare de ser um reclamão (como eu) de que não existe NADA de bom.

9 09UTC Outubro 09UTC 2009

Pasmaceira

Arquivado em: Música — Daniel Junior @ 23:12

No meu trabalho é  “proibido” escutar música. Não rola lance de rádio, mp3. Existem várias alegações, nenhuma verdadeira. Uma delas, é de que, com fone de ouvido, seria impossível escutar o alarme de incêndio. Bem, se vocês conhecessem o alarme de incêndio de onde eu trabalho, saberiam que isso é uma desculpa esfarrapada.

A ausência de música traz uma certa sonolência aos colegas. O ar-condicionado, mais frio que o normal, torna o ambiente gélido e, se ninguém fazer uma graça, contar uma piada, uma boçalidade necessária, tudo se transforma num episódio de qualquer filme europeu, preto e branco.

O local não é dos mais agradáveis. Fica no meio do nada e no início do fim de um limite do Rio (cidade). Não temos opção para ir á um restaurante ou lanchonete. Contamos com já famoso Tio Poerinha (que em dias de chuva vira o Tio da Lama), que vende salgados de proveniência nada confiável e que conta histórias sobre quantos fiados não quis vender. Curioso não?

O trabalho em si, é chato. Mais chato que vários outros chatos trabalhos. Custodiamos (?) documentos, contratos, termos, fichas de várias e várias empresas dos mais distintos fins. Fazemos uma espécie de cópia de segurança de tudo que ela possui, de todos os seus departamentos. Não decidimos. Decidem por nós. Não organizamos, organizam por nós. Ou seja, é tudo o que eu disse na primeira frase deste parágrafo e um pouco mais.

… E ainda nos privam de música.

Tudo bem, hoje em dia, uma pasmaceira tomou conta do dial. Ana Carolina tomou pra si o posto de onipresente, quase sendo roubado por Nando Reis. Do lado gringo, a Beyonce é quem está em todos os lugares. Mesmo assim, nossas aflições possuiriam um bálsamo, ao menos, na hora dos flash-backs. Meus colegas, mais íntimos e sofridos como eu nesta dor, cantam, quando conseguimos uma liberdade provisória, sob o olhar dos “alemães”, em uníssono, a alegria de poder assoviar alguma canção.

Nas reuniões, nas conferências e treinamentos, bradam em alta voz, entre as estatísticas de crescimento, que somos de primeiro mundo. É. Somos do primeiro mundo da insensibilidade, negamos a música. Só vale o barulho das caixas, dos papéis, dos gritos, dos risos, todos, desafinadíssimos, longe do carinho das canções.

Tristemente me acostumei. Tanto tornou-se hábito, que cada dia menos escuto música. E sofro. A pasmaceira que eu vejo lá fora, na verdade é reflexo da pasmaceira dentro de mim. Que poético e patético é perceber, que a maioria das coisas que reinvidico, são coisas que eu deveria fazer. Para todos nós pensarmos até o final do feriado.

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