Aliterasom

28 28UTC Novembro 28UTC 2009

Sexta Básica – X&Y – Coldplay

Arquivado em: Sexta Básica — Daniel Junior @ 1:17
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Talvez  o Coldplay tenha herdado aquele legado maneiríssimo de SUPER BANDA. Possui o talento, o carisma, a boa música e algo muito importante nos dias de musicadiversidade do novo século: regularidade. Lançou quatro bons discos, consegue lotar estádios e possui fãs apaixonados no mundo inteiro. Para variar, uma banda de british pop.

O disco que escolhi para comentar aqui no Sexta Básica é o X&Y, disco que numa primeira audição pode causar algum estranhamento. O próximo, Viva La Vida, é que herdou (mais uma vez) esta condição de disco estranho.  Lançado em 2005, mantem o clima de melancolia e harmonias simples, para servir de sombra para as declamações de Chris Martin. Vamos ao disco

1) Square One – A primeira faixa lembra muito boa parte das músicas compostas pelo Coldplay até a feitura deste disco. Uma bateria muito precisa, parecendo até programação. Boa faixa, embora não seja nenhum destaque precisamente.

2)What If - Aqui começa o grande disco. Arranjo de cordas para a bela canção. O pianão de Martin (elemento sempre presente em quase todas as faixas da discografia da banda) desta vez divide atenção com as duo-frases da guitarra de Jon Buckland. Existe um jeito impressionante de usar pouquíssimas notas e causar um efeito que gera bastante atenção.

3)White Shadows - Uma excelente melodia. Um riff simples (como quase sempre é), muito orgão. Aliás, fique um detalhe. Poucas vezes no rock pop se utilizou do teclado como um elemento que não se satisfaz apenas com acordes. Pelo contrário, parece que os riffs e convenções nascem justamente dos teclados, ora graves (como acontece em Fix You), ora percussivos como nesta canção. Destaque para o refrão cheio de poder e inspiração. Os vocais, oitavados, satisfazem. Musicalmente, Coldplay tem muita beleza musical. O baixo, até aqui, fica um pouco escondido justamente atrás das frases de baixo e guitarra. Com muito discrição.

4) Fix You – Uma das músicas mais lindas compostas nos últimos anos. Baixo na mão esquerda e troca de acordes (Bb e Eb) na mão direita. Em um novo canal surge os mesmo acordes, agora, agudos. O clima desta música é denso e belo. Na segunda parte, violão corda de aço e os mesmos teclados, para um fim APOTEÓTICO. Não há como não se emocionar mediante a entrada de uma guitarra, que irá diálogar com a harmonia de piano, baixo e teclado. Temos excelentes vocais, alternando-se com a presença de mais teclados. A banda, ao contrário do que parece, não fica mais sofisticada por isso. Os graves são iguais aos agudos e possivelmente, Martin faz a terça entre esses vocais, a sensação de coro é muito bonita e repito: esta é uma das grandes canções não só da banda inglesa, mas compostas neste século de boas músicas e fracas canções.

5) Talk- A canção começa com uma guitarra que grita muito alto e que comanda a música. Porém, não se engane, no canal esquerdo é possível ouvir o manto do teclado, cobrindo os intervalos. O Coldplay “achou” um jeito de dar DNA ás suas canções: muita discrição do baixo, presença maciça de teclado/orgão/piano e guitarra, quase sempre de forma simplista, mas não de pouca importância. Com tudo isso, essa não é uma das melhores músicas do disco.

6) X&Y – A canção que dá título ao disco tem um bom arranjo de cordas e muitas dedilhadas… Interessante e talvez a que tenha o formato mais parecido com o disco posterior, Viva La Vida. Engraçado como Coldplay embora seja uma banda popular e que escreva canções no formato estribilho-refrão-estribilho, não se priva de fazer arranjos não convencionais para suas canções e que, principalmente ao vivo, acabam dando muito certo.

7) Speed of Sound – Foi o single do disco. A primeira vez que ouvi gostei muito, mas depois, na história do disco, ele acaba não sendo tão sensacional assim, mas vale também, mais uma vez pela presença da guitarra de Buckland, que frasei com beleza rara e simples e chama atenção para os outros instrumentos na canção. Aqui, depois de 6 canções, aparece o baixo de Guy Berryman. Vale ressaltar os falsetes de Martin, talvez a marca principal da banda, depois do piano.

8) A Message - Essa música lembra bastante o clima de Parachutes, o primeiro disco da banda (lembro de ter ouvido sobre a banda inglesa pela primeira vez da voz de Roberto Frejat, vocalista (?) do Barão Vermelho), violão folk e a guitarra meio Sixpence None The Richer (um dia escrevo um Sexta Básica sobre esta banda pouco conhecida aqui no Brasil). Boa parte das canções elaboradas deste disco mantem também aquela melancolia que se espera da Martin, embora, a guitarra esteja presente quebrando o clima introspectivo do disco

9) Low - Música curiosa. A banda faz arranjos muito “engraçados”, trabalhando com seus instrumentos de forma bastante criativa. Imagino, que feita a espinha dorsal da canção, eles ficam adicionando elementos e a música vira um mosaico, um muro de som. Imagino o trabalho que dá mixar.

10) The Hardest Part – Minha música preferida. Tudo muito bem encaixado. Uma canção pop perfeita. Tudo está lá. Melodia, harmonia e ritmo audíveis para serem apreciadas. Meu instrumento (piano) agudinho e ensolarando a canção. Dessas músicas que ficam para sempre, diferente de outras. É melhor dizer pouco. Canção perfeita.

11) Swallowed In The Sea - Parece um hino. Tem um tom solene. Aliás, Martin faz parecer de cada canção sua um requiém de despedida. E não exagero. A música tem o formato cerimonial de canções americanas do século XVI. Lógico que aqui ainda se percebe o jeito da banda fazer música, mas não dá pra negar que melodia é a especialidade da banda.

12) Twisted Logic – Amo estes acordes. Mudanças no baixo e dedilhado mortal. Realmente, quem no início disse que lembra Travis, sim estava certo. Aliás, gostaria de entender porque o British Pop é tão similar por si só. Uma canção meio Oasis, meio Travis. Muito peso e violência nos pratos de Champion. Um jeito espirituoso de encerrar um disco que deve ser apreciado com tranquilidade. Reparar nos canais de guitarra é a primeira dica. Deixar as cobertas dos strings do teclado enebriarem a experiência sonora, depois, como num mantra, se envolver com o vocal de Chris Martin. Pronto, você já está apaixonado por Coldplay.

 

Esse é o último review do ano. Eu desejo a todos vocês felicidades no ano de 2010. O Aliterasom volta precisamente em 11 de janeiro. De antemão quero informar que a coluna QUINTA SÉRIE está falecida e não retorna em 2010. O site passará por reformulações mas a garantia é de que a dedicação será mais profissional, assumindo um caráter mais crítico e muito menos informativo. O blogueiro precisa descansar porque a meta para 2010 é profissionalizar todos os canais que foram estabelecidos, primeiro Aliterasom e depois Séries News (endereço provisório). Quero agradecer as mais de 40 mil pessoas que lêem o blog de fevereiro para cá. Tem sido ótimo e irá continuar.

“Só nos sobrou do amor, a falta que ficou” – Os Anjos (Legião Urbana)

31 31UTC Outubro 31UTC 2009

This Is It – review

Arquivado em: Sexta Básica — Daniel Junior @ 3:50
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michael-jackson-this-is-it-rehearsalLamento muito que a vida de Michael tenha sido cruelmente explorada mediante tanto talento. Com isso, não me personifico de juiz para dizer que ele é inocente ou culpado de suas acusações. A tentativa (caduca) de julgá-lo, deixo para os que não se cansam de fazê-lo. Prefiro re-saborear o que vi ontem à noite em uma sala de cinema no subúrbio do Rio.

Michael era soberbamente genial. Um mestre da música pop e sofisticadamente inteligente. Líder, maduro e sério. Longe da figura caricata desenhada pelos meios midiáticos. Assombrosamente afinado, contando com músicos de primeiro naipe e muito, muito perfeccionista. “This Is It” não explora com pieguismo as últimas horas do ídolo afro-americano, mas grita pro mundo, em som estéreo, que ele era maior do que todas as acusações que recebeu, ele era um gênio.

Sua música, desde os anos 70, sugeria para este ensaio uma dose cavalar de samples e pre-gravações, recurso comumente utilizando por artistas de excelência do pop como Madonna e George Michael. Jackson tinha no palco músicos impressionantes e um som de arrepiar que fez cada pessoa no cinema ficar atenta aos mesmos detalhes que Michael enfatizava.

Sua figura embora parecesse compenetrada, não demonstrava qualquer sinal de cansaço ou mesmo um vento de que ele estaria passando por sérios problemas de saúde. Magro, sempre foi. Branco, não, mas continuava. A voz, impecável, embora menos potente, mas nem eu e nem você que (não) cantamos, aos 50, não teremos as mesmas vozes. Portanto, isso é um detalhe fisiológico.

As músicas escolhidas para os 50 “cultos” em Londres são hits que emocionariam e fariam dançar as milhares de pessoas que testemunhariam o retorno do Rei do Pop. De Beat It até Thriller, dos clássicos do Jackson 5 até as grandes músicas do “Dangerous”; Michael preparou surpresas que no universo pop, jamais se viu.

É óbvio que um espírito de porco irá sob a pena do escriba, dizer que o documentário é “oportunista”. Longe disso. Justifica-se plenamente tal lançamento, já que o prejuízo com a morte de Michael ultrapassou os 100 milhões de dólares. Os detalhes da produção ficam muito nítidos para aqueles que tem curiosidade sobre o que acontece behind the scenes e a alegria e a emoção dos músicos, bailarinos, coreográfos e diretores que o acompanham passa longe da falsidade ou do  oportunismo. Pelo contrário. Efusivos, transpiram talento, recebem talento e se desdobram para que em longos minutos possam tocar na veste do Rei.

Michael deixou um legado inesgotável de doçura e pasmem, de bom comportamento no palco. Embora sensual, jamais apelou para o sexismo ou  fez dele discurso de sedução. Pelo contrário, seus temas ecologicamente panfletários leva o expectador a raros momentos de reflexão e quando, música faz pensar, faz agir.

Portanto, fica minha dica para que nas próximas duas semanas você possa encontrar convites disponíveis para assistir o que seria um dos maiores espetáculos da Terra e acabou sendo a despedida de um rei de súditos fiéis e outros nem tanto.

24 24UTC Outubro 24UTC 2009

Sonic Boom 2009 – Kiss (Review)

Arquivado em: Sexta Básica — Daniel Junior @ 0:35
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kiss_sonicboom

Depois de mais de 1 mês ouvindo e desmistificando tudo que foi dito a respeito do disco a conclusão em que cheguei é simples: Sonic Boom é um bom disco. Não, ele não é um novo Rock N Roll Over (1976) e nem é o novo Creatures of The Night (1982). Ele é o Sonic Boom, de personalidade própria mas que traz um Kiss tão diferente dos últimos anos (e põe anos nisso), que tardiamente podemos dizer que este é um disco novo do novo Kiss.

1 – Modern Day Delilah

A faixa cantada por Paul Stanley (e primeiro single lançado) numa primeira audição, parece querer nos convencer de que este a melhor faixa do disco. Não, não é. É uma boa canção de Stanley, com seu cartão postal preferido: agudo desesperado (e afinado), daquelas canções muito parecidas com o espírito do falecido Psycho Circus (1998). Nota 7

2 – Russian Roulette

Aqui, o Deus do Trovão faz aquelas canções muito típicas das canções que ele escreveu nos anos 90 e, talvez por isso, seu amigo Ace Junkie Frehley tenha dito acertadamente, que este disco não tem nada de anos 70 ( Simmons espalhou aos quatro ventos, que este era o melhor disco do Kiss em muitos anos e Paul disse que a “mágica setentista” estava de volta) e sim de 80. Ok. Se esta não é uma nova Domino (graças á Deus), também não é a nova Unholly (uma das últimas grandes canções de Gene em parceria com Vincent Cusano, ou Vinnie Vincent se preferir). Nota 6,5

3 – Never Enough

A partir desta canção, realmente pegamos o carro do tempo. Sim, ela tem um feeling de great song. O que impressiona no Paul é a vitalidade e uma vontade de não se repetir (embora, aqui e ali, existam elementos que digam: essa música é do Paul!). Mais do que em outros discos lançados por toda a década de 90, este disco tem a pegada hard mais escancarada. Sim, você tem razão. Os farofeiros irão adorar! Brincadeiras á parte, este som, é quase retrô, pois muito dos arranjos e estéticas aqui utilizadas, já haviam sido exploradas á esmo, lá em 92, 93. Nota 7

4 – Yes I Know (Nobody’s Perfect)

Gene acertou a mão. Esta música caberia perfeitamente em Love Gun (1977). Seu baixo rockabilly e sua levada melódica tem a cara das grandes músicas que Gene fez no passado. Esta parceria com Stanley tem tudo a ver com o Kiss. A linha de baixo, o acompanhamento de guitarra, os vocais. E Gene, tal qual Paul, continua cantando bem, com personalidade. Aliás, ele por si só já é emblemático, portanto, no alto dos seus 60 anos, não precisa imitar ninguém. Gosto muito desta canção. Lembra muito as canções que Peter cantou no Kiss. Ouça por si mesmo e veja se ela não lembra bastante Nothing To Lose. Nota 9

5 – Stand

Eu tenho certeza que Gene pediu para dividir os vocais com Paul, na canção do guitarrista. Por um motivo muito simples: essa música é muito legal. Tudo nela é muito alegre e é a típica música de arena, que levanta público. Com seu arranjo mega pop: estribilho, clima e refrão. Sem contar os vocais caprichadíssimos dos dois. O clima é de God Gave Rock and Roll To You II. Tudo muito acertado. Solo no local certo. Há um desejo em toda a canção para que ela se torne um hino. Está na cara. Nota 9,5

6 - Hot And Cold

Tem uma coisa bastante curiosa neste disco: a bateria de Singer não tem muito peso. Tem uma típica levada de rock puro. Destaque absoluto para a timbragem de baixo e sua linha (será que foi o Gene que fez mesmo). É uma música genesimoniana. Simples. Nota 5,5

7 – All For The Glory

A música é de Paul Stanley e os vocais originais de Eric Singer. É a primeira música originalmente composta pela atual formação que conta com o dono das baquetas do Kiss no vocal. Excelente canção. Tudo se encaixa. Curioso em ouvi-la ao vivo. Uma excelente introdução. Aqui está uma boa lição de como se fazer uma excelente música com muita autenticidade. O Kiss sempre teve esta marca, seus integrantes sempre cantaram muito bem. Na formação original, tanto Pete e Ace tinham muito carisma no vocal. E por falar em Ace, nesta faixa existe um solo psicografado por Thayer, com o espírito de Paul Daniel Frehley… Nota 8

8 – Danger Us

Um grande som de guitarra se espalha por este disco. Fora o belo refrão. Temos novamente o espírito de Ace nas inserções de guitarra. Mais uma vez chamo a atenção para a mixagem do disco, que parece trazer o som de bateria mais próximo aos instrumentos. Isso é muito típico de discos gravados quase “ao vivo”. Boa canção. Nota 7

9 – Im An Animal

Gosto destes riffs matadores e meio black, no melhor sentido da palavra. Aquele jeito “demoníaco” de Gene fazer as canções tem a cara dele. Lógico que aqui me refiro ao personagem. As notas graves são lindas e sim, essa é uma típica música do evil Gene. Podem ter certeza será ponto alto nas apresentações ao vivo. Excelente canção. Nota 9

10 – When Lightning Strikes

Eu gostei mais da voz do Thayer do que da canção. Não que ela seja ruim. Longe disso, mas é apenas mais uma canção. Ele tem uma boa pegada, mas eu me empolguei mesmo é com a excelente voz de Thayer (que novamente invoca o espírito de Frehley nos solos completamente inspirados no Spaceman), porque a canção é muito reduzida. Entenda. É uma boa música mas preguiçosamente construída. Nota 7

11 – Say Yeah

Paul fecha com chave de ouro o disco, com sua voz ainda impecável; este senhor prestes a completar 58 anos ainda dá as cartas de homem-show no Kiss. A composição é da trinca Simmons-Stanley-Singer. Isso é muito bacana. Porque as composições no Kiss sempre foram ponto de discórdia, que o digam Peter e o várias vezes citados Ace. Nota 7

Você fã de Kiss é bom que curta bastante este disco, porque se a banda levou 11 anos para fazer um novo disco de inéditas, acho improvável (pela história da banda e pelo comportamento da mesma na última década) que ela lance outro material tão cedo, que não seja o que já fez em outras ocasiões: coletâneas e mais coletâneas

Assista um pequeníssimo faixa a faixa com Paul Stanley e Tommy Thayer

Parte I

Parte II

E o single Modern Day Delilah em um programa de tv americano, uma espécie de Programa do Jô

Tão perfeito que parece playback

28 28UTC Agosto 28UTC 2009

Sexta básica – Rush – Counterparts (1993)

Arquivado em: Sexta Básica — Daniel Junior @ 22:37
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counterpartsEste faz parte também daquele seleto grupo dos discos que mais escutei na vida. COUNTERPARTS, do Rush, é um disco estilosamente rock, com pegadas e levadas empolgantes, feitas, vejam só, há 16 anos. Um disco vigoroso, que pode até agradar, ao crítico mais ranzinza da banda canadense. Porque embora sejam respeitados entre músicos, sempre foi de certa forma, rechaçado, pelo segmento metal. De fato, Rush não é um Black Sabbath, nem o Metallica. Representantes extremos de alas do metal. Mas também não é o Bon Jovi e nem o Aerosmith. É uma banda composta por músicos experientes, com uma discografia respeitável (com todas as letras) e que estão produzindo bons discos, até os dias de hoje, ou seja, 35 anos após sua estréia em vinil, com o auto-intitulado Rush.

(mais…)

25 25UTC Julho 25UTC 2009

Sexta Básica – Ira! – Isso é Amor (1999)

IraIssoéamorE lá se vão 10 anos do lançamento do disco de covers da falecida banda Ira!

Lamento como as coisas ocorreram. Obviamente lamento o que soube pela imprensa e por alguns vídeos lamentáveis, sempre da parte do Nasi. O restante da banda preferiu a discrição. E concordo que, se o drama se tornasse mais público do que se tornou, o inimaginável poderia acontecer, talvez, uma tragédia maior.

Vamos falar de música?

Bem Isso é Amor (1999) não é um disco muito fácil de ser encontrado por que é um daqueles que foi produzido sob a batuta da também falecida Abril Music. Desafio você a procurar vários discos, não só da Abril como da Paradoxx. O resultado é decepcionante e tenho muita curiosidade de quem é a custódia destes fonogramas.

Não é um cd caça níquel, aproveitador. Porque a banda se propôs a homenagear alguns artistas e também suas canções sem soar tola. Vamos faixa por faixa, de forma bem basica.

Bebendo Vinho (Wander Wildner) – Com certeza você já deve ter visto o compositor desta música em algum momento, principalmente na Mtv. O gaúcho com dentes posicionados esquisitamente em sua boca, fora membro de uma banda chamada Replicantes e que ficou muito conhecida nos anos 80. O teor da canção é simples: um gaúcho (por que ser?) falando de sua estadia no Rio de Janeiro e de como se senti só. Um cover nada óbvio de um artista de véu cult.

Teorema (Legião Urbana) – A canção que faz parte do primeiro disco da LU tem aqui um arranjo meio Beatles. Muito violão e uma guitarra bem interessante. É uma pena que Nasi não tenha utilizado-se do seu parceiro Scandurra para fazer o belo arranjo vocal que Renato fizera em sua debut disco.

Telefone (Gang 90) – Em 83/84 essa música tocava muito no rádio. Era o Gang 90. Personificado pela figura de seu vocalista e poeta Julio Barroso (morto em 1984 caindo da janela de seu apartamento em SP). Nesta versão, Fernanda Takai e sua belíssima voz dão doçura ao pequeníssimo dueto com Nasi. Uma excelente devida homenagem a uma das bandas de carreira curta, mas percussora do rock brasileiro, princialmente no RJ.

Chorando pelo Campo (Lobão) – Sou fã do Lobão  de graça e esta é uma das canções mais lindas que ele compôs. Tem uma melancolia rara nas canções de Lobão, um cantor mais conhecido por sua veia verborrágica desbocada e seus versos quase sempre assimétricos. O arranjo tem a cara do Ira! (e não poderia ser diferente). Quase um surf music. Linda canção.

Flashback (Dalto) – O Dalto é um cara que tem uma história na música brasileira muito tímida.  Embora fosse um sucesso radiofônico grande nos finalzinho dos anos 70 até 85/86. “Muito estranho” foi o seu maior hit. É da mesma geração de Fábio Jr, Gilliard, Jessé, embora, fosse um compositor (estes são mais conhecidos como intérpretes) muito sofisticado. Sempre fará parte daquela galeria de artistas injustiçados e que terão algum valor após suas mortes e creditados como grandes em documentários, filmes e homenagens.

Um Girassol Da Cor De Seu Cabelo (Lô Borges) - Conheço pouquíssima coisa do famoso Clube da Esquina, aliás, um dos menos documentados movimentos da música brasileira. Sabemos muita coisa do BRock, da Tropicália, da Jovem Guarda e até da lambada, mas a fase que contemplou Lô Borges, Flávio Venturinni, Wagner Tiso, Milton Nascimento, mereceia melhor destaque. Aqui, nada melhor do que chamar um autêntico mineiro, Samuel Rosa, para fazer referência a um dos seus ídolos, Lô Borges. Gosto muito dos agudos finais de Samuel, que sempre teve um relacionamento com o Ira! de recíproco respeito e amizade. Uma excelente versão.

Mudança de Comportamento (Ira!) – Primeiro disco do Ira! e a música soa tão moderna como se tivesse sido composta hoje. Uma auto-homenagem merecidíssima e demonstrando que a proposta musical do Ira! manteve-se fidedigna ao seu estilo. Uma escolha plenamente aceitável. Vale ouvir também conferí-la no Acústico do Kid Abelha. O Ira! como venho falando durante o post, sempre teve um respeito muito grande por parte de sua geração.

O Que Me Importa (Cury) – Essa música fez o maior “auê” quando regravada pela diva Marisa Monte, 4 ou 5 anos após a versão do Ira!. Isso é um fenômeno que vi acontecer em mais duas ocasiões. A primeira delas quando Renato Russo regravou Cathedral Song (Tanita Tikaran) em inglês e Zélia Duncan, em mesmo período fez sua versão em português e ganhou as rádios até encher o saco, com o perdão da expressão. A outra vez foi o Biquini Cavadão quando em seu cd “Escuta Aqui”, gravou “Pra Terminar”, canção de Herbert Vianna. Alguns anos depois, a talentosíssima e igualmente chatíssima Ana Carolina deu sua cara a canção e mais uma vez, dominou as rádios, com seu vozeirão. Impressionante. Mesmo assim, confiro um empate técnico entre a versão do Ira! e da Marisa.

Jorge Maravilha (Julinho da Adelaide) – Sei pouquíssimo sobre esta canção embora ela me seja bem familiar. Imagino que ela foi fruto de alguma discussão na escolha do repertório para este disco, uma vez, que é bem diferente do que o Ira! fez em todos os seus discos até aquele momento. É a que menos gosto. Tem aquele jeito samba-rock muito conhecido por compositores como Jorge Ben Jor e Bebeto.

Abraços e Brigas (Scandurra) – Acho que essa é uma das únicas músicas inéditas deste disco, se não é da carreira solo de Edgar. É uma boa música, mas não acrescenta muita coisa ao projeto.

Sentado À Beira do Caminho (Roberto Carlos) – Essa é a época boa do Roberto. Onde ele e Erasmo eram cronistas musicais de primeira linha. Uma homenagem no nível que só o Ira! poderia oferecer. Uma letra excelente, um arranjo que tem umas guitarras que lembram Radiohead. Muito bacana.

A Vida Tem Dessas Coisas (Ritchie) – Como são as coisas… o Ira! coloca na “orelha” de seus fãs, referências interessantes da música brasileira, que, em 99, passariam batidas (não havia o revival ou Festa Ploc) e desconhecidas. O Ritchie era um compositor muito interessante. Como um cantor inglês conseguiu adquirir um dna tão nacional na sua arte, vindo de outro continente? Não sei. Sei que esta canção também tocou MUITO no rádio. Lembranças boas… :) Vale ressaltar, Bernardo Vilhena um compositor prolífico dos anos 80, aparece mais uma vez nesta canção, pois em Chorando Pelo Campo, ele é co-parceiro de Lobão.

Alegria de Viver – Uma versão de Scandurra, que aqui aparece cantando. Gosto da voz do excelente guitarrista, mas esta é mais uma canção, que sinceramente, não acrescente nada ao projeto. Poderia ser utilizada em outra ocasião. Além de ser bem repetitiva.

Minha Gente Amiga (Ronnie Von) – Surpreendente a inclusão desta canção, por seu cantor e compositor – Ronnie Von – e porque ela é uma espécie de música símbolo de uma geração. Tipo aquelas músicas que são emblemáticas de uma época. Era muito comum nos anos 70 e 80 canções-convites. Aquelas nas quais na letra, o compositor felicitava/agradecia/cumprimentava todos por um motivo específico ou não. Neste caso, aqui serve como uma “despedida” do cd ou um “grande abraço” a todos os homenageados do cd. O disco termina muito bem.

Ufa! Semana que vem tem mais! That’s All Folks!!!

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