Talvez o Coldplay tenha herdado aquele legado maneiríssimo de SUPER BANDA. Possui o talento, o carisma, a boa música e algo muito importante nos dias de musicadiversidade do novo século: regularidade. Lançou quatro bons discos, consegue lotar estádios e possui fãs apaixonados no mundo inteiro. Para variar, uma banda de british pop.
O disco que escolhi para comentar aqui no Sexta Básica é o X&Y, disco que numa primeira audição pode causar algum estranhamento. O próximo, Viva La Vida, é que herdou (mais uma vez) esta condição de disco estranho. Lançado em 2005, mantem o clima de melancolia e harmonias simples, para servir de sombra para as declamações de Chris Martin. Vamos ao disco
1) Square One – A primeira faixa lembra muito boa parte das músicas compostas pelo Coldplay até a feitura deste disco. Uma bateria muito precisa, parecendo até programação. Boa faixa, embora não seja nenhum destaque precisamente.
2)What If - Aqui começa o grande disco. Arranjo de cordas para a bela canção. O pianão de Martin (elemento sempre presente em quase todas as faixas da discografia da banda) desta vez divide atenção com as duo-frases da guitarra de Jon Buckland. Existe um jeito impressionante de usar pouquíssimas notas e causar um efeito que gera bastante atenção.
3)White Shadows - Uma excelente melodia. Um riff simples (como quase sempre é), muito orgão. Aliás, fique um detalhe. Poucas vezes no rock pop se utilizou do teclado como um elemento que não se satisfaz apenas com acordes. Pelo contrário, parece que os riffs e convenções nascem justamente dos teclados, ora graves (como acontece em Fix You), ora percussivos como nesta canção. Destaque para o refrão cheio de poder e inspiração. Os vocais, oitavados, satisfazem. Musicalmente, Coldplay tem muita beleza musical. O baixo, até aqui, fica um pouco escondido justamente atrás das frases de baixo e guitarra. Com muito discrição.
4) Fix You – Uma das músicas mais lindas compostas nos últimos anos. Baixo na mão esquerda e troca de acordes (Bb e Eb) na mão direita. Em um novo canal surge os mesmo acordes, agora, agudos. O clima desta música é denso e belo. Na segunda parte, violão corda de aço e os mesmos teclados, para um fim APOTEÓTICO. Não há como não se emocionar mediante a entrada de uma guitarra, que irá diálogar com a harmonia de piano, baixo e teclado. Temos excelentes vocais, alternando-se com a presença de mais teclados. A banda, ao contrário do que parece, não fica mais sofisticada por isso. Os graves são iguais aos agudos e possivelmente, Martin faz a terça entre esses vocais, a sensação de coro é muito bonita e repito: esta é uma das grandes canções não só da banda inglesa, mas compostas neste século de boas músicas e fracas canções.
5) Talk- A canção começa com uma guitarra que grita muito alto e que comanda a música. Porém, não se engane, no canal esquerdo é possível ouvir o manto do teclado, cobrindo os intervalos. O Coldplay “achou” um jeito de dar DNA ás suas canções: muita discrição do baixo, presença maciça de teclado/orgão/piano e guitarra, quase sempre de forma simplista, mas não de pouca importância. Com tudo isso, essa não é uma das melhores músicas do disco.
6) X&Y – A canção que dá título ao disco tem um bom arranjo de cordas e muitas dedilhadas… Interessante e talvez a que tenha o formato mais parecido com o disco posterior, Viva La Vida. Engraçado como Coldplay embora seja uma banda popular e que escreva canções no formato estribilho-refrão-estribilho, não se priva de fazer arranjos não convencionais para suas canções e que, principalmente ao vivo, acabam dando muito certo.
7) Speed of Sound – Foi o single do disco. A primeira vez que ouvi gostei muito, mas depois, na história do disco, ele acaba não sendo tão sensacional assim, mas vale também, mais uma vez pela presença da guitarra de Buckland, que frasei com beleza rara e simples e chama atenção para os outros instrumentos na canção. Aqui, depois de 6 canções, aparece o baixo de Guy Berryman. Vale ressaltar os falsetes de Martin, talvez a marca principal da banda, depois do piano.
A Message - Essa música lembra bastante o clima de Parachutes, o primeiro disco da banda (lembro de ter ouvido sobre a banda inglesa pela primeira vez da voz de Roberto Frejat, vocalista (?) do Barão Vermelho), violão folk e a guitarra meio Sixpence None The Richer (um dia escrevo um Sexta Básica sobre esta banda pouco conhecida aqui no Brasil). Boa parte das canções elaboradas deste disco mantem também aquela melancolia que se espera da Martin, embora, a guitarra esteja presente quebrando o clima introspectivo do disco
9) Low - Música curiosa. A banda faz arranjos muito “engraçados”, trabalhando com seus instrumentos de forma bastante criativa. Imagino, que feita a espinha dorsal da canção, eles ficam adicionando elementos e a música vira um mosaico, um muro de som. Imagino o trabalho que dá mixar.
10) The Hardest Part – Minha música preferida. Tudo muito bem encaixado. Uma canção pop perfeita. Tudo está lá. Melodia, harmonia e ritmo audíveis para serem apreciadas. Meu instrumento (piano) agudinho e ensolarando a canção. Dessas músicas que ficam para sempre, diferente de outras. É melhor dizer pouco. Canção perfeita.
11) Swallowed In The Sea - Parece um hino. Tem um tom solene. Aliás, Martin faz parecer de cada canção sua um requiém de despedida. E não exagero. A música tem o formato cerimonial de canções americanas do século XVI. Lógico que aqui ainda se percebe o jeito da banda fazer música, mas não dá pra negar que melodia é a especialidade da banda.
12) Twisted Logic – Amo estes acordes. Mudanças no baixo e dedilhado mortal. Realmente, quem no início disse que lembra Travis, sim estava certo. Aliás, gostaria de entender porque o British Pop é tão similar por si só. Uma canção meio Oasis, meio Travis. Muito peso e violência nos pratos de Champion. Um jeito espirituoso de encerrar um disco que deve ser apreciado com tranquilidade. Reparar nos canais de guitarra é a primeira dica. Deixar as cobertas dos strings do teclado enebriarem a experiência sonora, depois, como num mantra, se envolver com o vocal de Chris Martin. Pronto, você já está apaixonado por Coldplay.
Esse é o último review do ano. Eu desejo a todos vocês felicidades no ano de 2010. O Aliterasom volta precisamente em 11 de janeiro. De antemão quero informar que a coluna QUINTA SÉRIE está falecida e não retorna em 2010. O site passará por reformulações mas a garantia é de que a dedicação será mais profissional, assumindo um caráter mais crítico e muito menos informativo. O blogueiro precisa descansar porque a meta para 2010 é profissionalizar todos os canais que foram estabelecidos, primeiro Aliterasom e depois Séries News (endereço provisório). Quero agradecer as mais de 40 mil pessoas que lêem o blog de fevereiro para cá. Tem sido ótimo e irá continuar.
“Só nos sobrou do amor, a falta que ficou” – Os Anjos (Legião Urbana)

Lamento muito que a vida de Michael tenha sido cruelmente explorada mediante tanto talento. Com isso, não me personifico de juiz para dizer que ele é inocente ou culpado de suas acusações. A tentativa (caduca) de julgá-lo, deixo para os que não se cansam de fazê-lo. Prefiro re-saborear o que vi ontem à noite em uma sala de cinema no subúrbio do Rio.
Este faz parte também daquele seleto grupo dos discos que mais escutei na vida. COUNTERPARTS, do
E lá se vão 10 anos do lançamento do disco de covers da falecida banda Ira!