Dream Theater esbanja saúde e excelentes composiçoes no disco mais pop de sua carreira profícua.
Com lançamento previsto para 26 de junho, o novo disco do Dream Theater, Black Clouds & Silver Linings, vazou na internet com mais de um mês de antecedência. E causou muito burburinho. Um bafafá positivo. A banda está mais pesada e cada dia mais envolvida no rótulo que lhe deram: um progressivo agressivo, com muita técnica e firula. Em BCSL, temos além da presepice conhecida por seus fãs, um disco muito melodioso e interessante. Desde as letras, até as convenções brilhantemente executadas. Aqui um review, faixa a faixa:
1) Nightmare to Remember – uma faixa pesada, mas com muito brilho. Eu que sempre disse que DT é a única banda em que o músico contratado é seu vocalista, retiro minhas palavras. La Brie está cantando, além da técnica. Virou um intérprete. Canta as músicas com um sentimento, até então desconhecido, em estúdio. Todas as nuances da canção, contam com uma verdadeira aula de como atenuar e de como pesar versos para quem os ouve. Destaque para os timbres utilizados por Petrucci, muito melhor neste disco do que nos últimos discos da banda. O guitarrista mantem a velocidade que lhe é peculiar, mas os riffs estão muito mais sombrios. Aliás, Portnoy abusa do pedal duplo, dando uma cara de banda como Pain Of Salvation. Fora o seu vocal, com efeito. Teve quem não gostasse. Eu gostei.
2) Rite of Passage – Essa canção possui o melhor interlúdio (passagem de um trecho musical para outro) que eu ouvi nos últimos dias. Uma melodia bastante interessante. Aliás, este é o mote do disco; conta com várias músicas na qual não precisa se decorar com dificuldade suas linhas. A faixa pode desagradar fãs mais ortodoxos que preferem músicas mais difíceis, para ouvidos menos tradicionais. De fato, o DT em discos como Images & Words e Awake notabilizou-se por canções que não conquistam na primeira audição. O que ouvimos em Rite Of Passage é uma canção com uma pungência do excelente Train Of Thought (2003), mas com uma vocação mais radiofônica. Petrucci exercitando pentatônicas durante a melodia, + seu riff matador durante toda a canção, fora o teclado viajante a lá Faith No More (fase Angel Dust) tornam esta canção um grande hino, de muito bom gosto.
3) Wither – Mais uma bela canção. La Brie está alvo. Gosto de ouvir uma banda pesada tocando fora das possibilidades megalomaníacas. É como se o Dream Theater estivesse descendo do Olimpo (seu lugar de habitação) para falar com os mortais, num idioma que todos conhecem bem. Tudo na canção soa bem. Desde a condução, até os strings mais discretos utilizados por Rudess, que prefere, sublinhar as guitarras bonitas e impiedosas de John Petrucci. Um pormenor: em todas as faixas, o pouco destaque do baixo de Myung. Acho que o sr. Portnoy poderia dar um espaço nas mixagens ao seu companheiro de cozinha. Não há sombra de dúvida de que ele (Portnoy) é um grande músico, talvez um dos mais influentes de sua geração, o que lhe rende admiração no mundo inteiro, mas numa produção artística, qualquer tipo de vaidade, deveria ser posta, ao menos, um pouquinho de lado.
4) The Shattered Fortress – Aqui é o fim do que ficou conhecido no orkut como a Saga da Cachaça. Para quem não sabe, Portnoy junto a sua banda, é o compositor mais presente nas faixas. E ele mesmo escreveu várias canções que falam a respeito de seus problemas com alcoolismo. Portanto TSF é uma colagem de várias destas canções. O resultado não poderia ser melhor. Compartilhar esta história com seus fãs através da arte, em minha opinião, demonstra uma certa nobreza. E acho que todas as canções são excelentes. Fico impressionado como a execução da faixa! São muitos riffs e várias frases. Imagino que durante a gravação, alguns cortes foram feitos e muitas e muitas colagens efetuadas. É nesta faixa que vemos um menor número de guitaras diferentes, talvez uma ou duas, dobradas. Afinal de contas, o que vale é contar a Saga da Cachaça sem que a música fique parecendo apenas uma colcha de retalhos e sim, uma nova canção. A comunidade oficial do Orkut descobriu nos versos da canção, a oração de São Francisco. O que torna esta grande compilação mais bela ainda.
5) Best of Times – Para mim a melhor música do disco. Uma introdução muito sentimental. Gosto do piano com suas quartas e cadências percussivas. Ou mesmo quando a tendência é arpejar para acompanhar um violão muito bem tocado por John Petrucci. Aliás, eis aqui um momento muito raro: quando o guitarrista talentoso toca com rara doçura e leveza. Por isso é bom ouví-la diversas vezes. É bom ouvir a gangorra do baixo (um dos raros momentos de Myung em todo o cd) e novos timbres de guitarra para Petrucci. Re-intero minha opinião sobre o disco: ele soa muito mais favorável a alguns ouvidos que não conheciam ou não gostavam da banda. Digamos que este é o Black Album (Metallica) do Dream Theater. Um solo arrasador ao final da canção, daqueles de se deixar levar… E quantos air guitar não serão feitos junto com o guitarrista!!!
6) The Count Of Tuscany – Lembra os grandes épicos do Dream Theater. Canção com uma estética muito próxima daquele progressivo tradicional de Yes e Pink Floyd. A canção imensa (como boa parte de todas as faixas), tem vários momentos interessantes, sempre com muitos riffs que emolduram todos seus trechos. Ora com velocidade, ora fritando (uma caraceterística marcante, digamos, do toque de Petrucci), o guitarrista tomou para si as atenções neste disco. É ele quem se destaca em todas as faixas. Em um segundo lugar honroso, uma vez que existem mais pausas do que melodias para ele, La Brie está cantando muito bem e muito além do que já o vi cantar, ao vivo, em dvds ou mesmo em discos que a banda já lançara.
BCSL é um excelente disco da banda que eu colocaria entre os três melhores produções da carreira da banda. Assim como ocorreu em Systematic Chaos, os fãs conquistados no início da carreira do DT irão torcer o nariz. Aqui neste disco, além da banda veloz, técnica e dificil, temos refrões, vocais mais adocicados e menos firulas do que o normal. Entre os melhores do anos, em qualquer lista de um headbanger sensível.

Prestes a lançar seu novo album,