Aliterasom

21 21UTC Outubro 21UTC 2009

Tico Santa Cruz e as invenções de moda…

tico-santa-cruz-290_5427040407632480236No rock é comum isso acontecer: invenção de moda. Em síntese, são pecados, heresias, invencionices que jamais deveriam ter saído da cabeça de qualquer boçal para se materializar e, em seguida, virar arrependimento. Quando Blaze Bayley assumiu os vocais do Iron Maiden, lenda do Metal, eu pensei, disse e esmurrei: isso não vai dar certo. Quando recentemente o Queen (ai meu Deus, que pecado), inventou de colocar o tal do Paul Rodgers (Bad Company) para excursionar (e até gravar), o mundo gritou. Quando Eddie Van Halen chamou Gary Cherone (do Extreme, que eu amo, mas…) para gravar como novo vocalista, conseguiu gravar um dos piores albuns da discografia da banda… Então, as experiências citadas, não deram certo (e quem não sabia?) e as melhores soluções sempre rondavam duas possibilidades: chamar quem foi embora (quando se é possível obviamente) ou sair de cena.

Quando Rodolfo Abrantes deixou os Raimundos por conta de sua conversão, realmente acabava naquele instante uma das bandas mais originais da história da música brasileira, que se conhece. Já falei sobre o seu disco de estréia aqui no Aliterasom e vários leitores (e ouvintes) não me deixam mentir. Tudo bem, que quando a moda dominou a banda, a questão das canções caíram (muito) mas a fama já estava criada e com certeza, eles poderiam voltar com um disco de porrada e mensagem. Não foi o que aconteceu. Rodolfo saiu e a banda, aos solavancos tentou se estabelecer com Digão, que como vocalista é um belo vocal. E sei lá por onde anda os Raimundos ou mesmo o nome da banda…

Pois agora acabo de ler, que Tico Santa Cruz, por quem nutro respeito e pouca admiração (não gosto de Detonautas, não gosto da voz de Tico, mas reconheço nele um cidadão de valores nobres e quem sabe seria um excelente representante do povo em alguma Assembléia Legislativa, usando sua inteligência em causas igualmente nobres), resolveu sugerir ao guitarrista dos Raimundos (?) alguns shows com ele no vocal…

Não! Não! Não! Não!

Deixa a lenda viva. Por que ir ao caixão revirar quem tá descansando em paz e já deixou seu legado? Ele não tem uma banda? Não tá com lançamento fresquinho aí nas lojas? Por que se notabilizar como aquele que mexeu na sopa fria?

Sinceramente respostas que eu desconheço. Também não irei ficar entrando em twitter para chamar atenção de A e de B… esse Ibope eu não dou. Sinceramente, eu espero que o Digão em nome de um passado glorioso, recue. Neste caso, tenho o mesmo pensamento que a Lee (aquela com nome Rita) tem acerca da volta dos Mutantes: não dá pra emular uma época, sentimentos, inspiração. Tudo teve seu devido tempo. Se alguém quer reviver algo, que seja A BANDA, não alguns que gostariam de mais “rock n roll”. Só não entendo uma coisa: se ele quer mais rock, porque não usa sua própria banda para isso?

Pois é.

Tô vendo que vem historinha por aí… segundo o próprio TSC a possibilidade de rolar “é grande”…

Ai meu Deus…

14 14UTC Julho 14UTC 2009

No dia mundial do Rock, um presentinho do Aliterasom

coraceboEu sei, aos 45 minutos do segundo tempo, mas eu não poderia deixar passar. Hoje é o Dia Mundial do Rock! É, eu sei. Parece não haver clima para comemoração, mas façamos então assim: durante a semana você pega aquele cdzinho (ou disco se preferir) que tá guardado faz tempo e que você não houve porque não curte mais ou até mesmo pela falta de tempo que todos nós somos assolados. Tira um dia ou dois para matar a saudade. Vai dizer que você nunca curtiu um Black Sabbath, Metallica…? De repente estes exemplos são muito radicais!!!  :)

Um Guns n Roses, um Skid Row você deve ter curtido!? Então, vai lá, pega a bolacha ou o cd e homenageie sua saudade. Eu sei, estão maltratando o rock. Tentando transformar o monstro numa adocicada e democrática mistura de sons! Tudo bem, quem sou eu para querer dizer isso ou aquilo, afinal de contas, a criatividade é a mola mestra da arte, mas, parecem que certas coisas são intocáveis!

São 13 faixas em homenagem ao dia 13 de Julho.

Vamos deixar de blá blá blá, porque se você não tem mais aquele vinil ou seu cd de rock para curtir (vendeu né?), o tio Aliterasom fez um coletânea (comentada) daquilo que ele escuta, escutou e escutará sempre: as melhores de sempre. Vamos lá:

Faixa 1 – A Rite Of Passage (Dream Theater) – Essa música da banda presepeira e adorada, Dream Theater, tem um dos melhores interlúdios que eu já ouvi. Um fraseado de guitarra lindo, pesado, inspirador. Escuto quase que diariamente.

Faixa 2 – Load (Metallica) – Sim, eu também não gosto deste disco, mas então por que incluíl-a na Coletânea Aliterasom – Dia Mundial do Rock. Por um motivo simples: porque esta música é do cacete! Eu considero o James Hetfield a melhor guitarra base do rock há muito tempo. Sem contar sua voz poderosa, sua sensibilidade para “pesar” e “aliviar” quando necessário. Mate a saudade!

Faixa 3 – Afraid To Shoot Strangers (Iron Maiden) – Quem gosta de rock e não gosta de Iron Maiden ou é ruim da cabeça ou doente do pé! :) Esta canção faz parte do último grande disco da banda inglesa, uma das responsáveis pela proliferação do heavy metal pelo mundo todo. Escolhi uma canção não óbvia e diferente na estética “iron maiden” de fazer música.

Faixa 4 – Cast No Shadow (Oasis) – Ih, também não curte?! Sempre acusados como plagiadores dos Beatles, para mim, a banda britânica é mais do que uma homenageadora da melhor banda de todos os tempos, é uma banda que tem excelentes discos e ótimas cancões. Particularmente gosto mais do Noel cantando do que o irmão, Liam. Minhas canções favoritas trazem o guitarrista do Oasis nos vocais. E nesta coletânea resolvi fazer o contrário… porque lá estão os backings de Noel…

Faixa 5 – The Killing Road (Megadeth) – O Youthnasia está entre os discos que mais escutei na vida. E esta canção, em particular, possui um riff lindo e matador. A paletada abafada dá o efeito “pizzicato” na guitarra, coisa bonita que só os bons sabem fazer, tempo e hora de usar um recurso lindo da técnica de guitarra. Não sei se o Megadeth chegará um dia ao status do Metallica, mas que possui músicos de categoria, isso não tenho dúvidas… Virou meu ringtone.

Faixa 6 – The Unforgettable Fire (U2) – Um grande problema de quando a gente envelhece é uma tendência a achar que tudo que era produzido antigamente é que era melhor… Eu acho que na maioria das vezes isso não se aplica a absolutamente nada e tem um lado emocional fortíssimo, mas deixe-me fazer uma exceção: não acho que o U2 fará canções como esta novamente. A canção é linda e é de uma época em que Bono Vox era mais vocalista do que ativista pacífico. Ok, acho que ele faz um grande trabalho como cidadão do mundo (muito mais que eu), mas sinto falta do Bono músico e autor de canções como esta.. Sim, até hoje não engoli o disco novo No Line On The Horizon

Faixa 7 – Falling In Beetween (Toto) – Sou suspeitíssimo para falar do Toro (sim é assim a pronúncia em inglês). Era uma banda redondinha, com suas canções fantásticas. Ano passado encerrou suas atividades e deixou um imenso vazio na combalida cena do rock mundial. Esta é do último disco de inéditas, com mesmo título.

Faixa 8 – No More Tear (Ozzy Osbourne) – Canção matadora de um dos grandes discos do Prince Of Darkness. O clip, na época, estourou e traz um Ozzy longe da aposentadoria e com muito fôlego. Aliás, este disco todo é bom e tem grandes clássicos  como Mama I’m Coming Home, Hellraiser (do Motorhead) e Mr. Tinkertrain. Musicão… que baixo!

Faixa 9 – Cult Of Personality (Living Colour) – De longe, os melhores negões do rock. Um peso absurdo na guitarra, músicos entrosadíssimos, um vocalista que parece fora do ambiente (ele tem swing pacas para um vocalista de rock), mas que contribui para riqueza do Living Colour. Esta é a primeira música do Vivid. Um disco que está por aí em ótimas liquidações. Vale a pena ter o original.

Faixa 10 – Love Thing (Joe Satriani) – Ah rapazes e moças. Essa música é para chorar. No bom sentido e vamos lá, qual banda de rock não tem sua baladinha? Neste caso, é uma baladaça… O cinquentão Satriani, sabe aliar como poucos, a destreza e a habilidade com a sensibilidade, sem que pareça um piloto de F1 tocando guitarra… Bateria retinha, quadrada, baixo e um acompanhamento para pedir um vinho, dar um beijo e chamar para dançar juntinho… Momento “love thing” no Aliterasom…

Faixa 11 – Color Me Blind (Extreme) – E por falar em balada, o Extreme que sempre foi conhecido por More Than Words – must da década de 90 – tinha músicas MARAVILHOSAS e esta especialmente é de outro cd aqui de casa que é furado, III Sides To Every Story. Nuno Bittencourt é um dos grandes das seis linhas. Injustiçadamente desconhecido, mas um grande músico. O Extreme lançou o grandioso Saudades do Rock, que não teve qualquer tipo de repercussão. Uma pena!

Faixa 12 – Naked In Front of  The Computer (Faith No More) – Uma das minhas bandas preferidas… aqui num momento nada óbvio. Esse canção é do disco Album of The Year, último disco de inéditas do quinteto. A banda voltou a se apresentar na Europa e minha esperança é de que ela passe aqui pelo Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Este disco (Album of The Year) não é tão bom quanto os anteriores, mas ainda mostra a vitalidade e a força da banda. Tanto é verdade, que eles incluíram várias músicas deste cd no setlist da volta.

Faixa 13 – Entrelinhas (Contraplonge) – Não sei se vocês repararam, mas eu não coloquei nenhuma banda nacional. É meu “protesto” com relação ao atual momento do rock brasileiro. Como já falei disso em outros posts, prefiro exaltar a postura de quem mantem-se nobre. Contra todas as dificuldades. Contraplonge é a banda do meu amigo Guga Brandao, que junto com seus outros amigos, fizeram um disco excepcional e que pouca gente conhece “Mise en Scene”. Essa é a minha canção preferida do disco. Pela melodia, pelo violão, pelos versos… É o meu momento… E por isso resolvi incluí-la na coletânea Aliterasom – Dia Mundial do Rock, para que vocês conheçam e curtam “um pouquinho” de Contraplonge.

Ufa!!! Para baixar a Coletânea Aliterasom – Dia Mundial do Rock, clique aqui.

“Mas entre as notas e as pausas na canção, já bate um coração” – Entrelinhas

9 09UTC Maio 09UTC 2009

Os 5 discos que mais escutei na minha vida!

A falta de criatividade gera várias listinhas. Pelo menos comigo é assim. Eu fico pensando em como atrair o leitor para meu infinito particular e partilhar com ele gostos, aqui musicais, dos mais variados estilos. Poderiam ser livros, filmes, séries de tv e até partidas de futebol. O valor da gradação é mais subjetivo que a própria lista. Também existe uma motivação: não sei bem porque, mas o texto que escrevi sobre o Sgt. Peppers é um dos mais lidos desde a criação do Aliterasom… Não vejo nele, nenhum traço especial que mereça tanta atenção, mas se muita gente já leu (mais de 300 pessoas) é porque o “negócio tá bom”. Mas qual é a relação do disco dos Beatles com lista? Na resenha do Sgt. Peppers, eu relaciono, uma a uma, cada faixa e acho, que este tipo de texto chama bastante a atenção na internet. Por que? Não sei.

De qualquer forma, esta é a primeira vez que escrevo sobre os 5 discos que mais escutei na minha vida. E faço questão de escrever assim: disco. O termo cd é tão híbrido e pode ser tanta coisa, que a sensação de dizer LP ou disco, parece que apenas estou falando de música. Bem, eu vou começar…

Quinto Lugar

Ventura – Los Hermanos

venturaTodo mundo fala MUITO BEM do Bloco do Eu Sozinho. Eu também, mas é o Ventura que tá com capa, plástico e toda a caixinha “ferrada” de tanto abrir e fechar, pois aqui em casa se escutou esse disco até furar! A música pop consegue se casar numa espécie de banda que prima por arranjos que escolhem a beleza e a emoção como cartão de visita. Os temas (letras) podem ser simples como de Alem do Que Se Vê ou Do Sétimo Andar, mas um coração atento ao deslize, não pode passar batido ao bom gosto dos eternos barbudos.

 

 

Quarto Lugar

III Sides To Every Story - Extreme

iiisidesO pessoal da minha idade (entre 30 e 35 anos) conhece o Extreme por duas canções: More Than Words e Hole Hearted. A primeira é daquelas baladas para chorar e chorar e chorar. Duas vozes, dedicadas e um violão muito brasileiro. Hole Hearted já é uma canção hard estilo Mr. Big, feita pra “todo mundo cantar junto”. Estas canções fazem parte do disco Extreme II Pornograffitti. Porém o meu preferido é IISTES. Um disco conceitual que fala de liberdade, religião, política. Um disco na qual pouca gente prestou atenção (assim como o mais recente, da “volta”, Saudades do Rock), com arranjos de cordas fabulosos, com vocais lindos e com músicas bastante inspiradas. É uma pena que não tenha recebido a devida atenção do público e até mesmo dos fãs.

 

Terceiro Lugar

Angel Dust – Faith No More

AngelDustCapa2Lembro-me perfeitamente de quando cheguei numa loja de discos na Pça Tiradentes, no centro histórico do Rio de Janeiro e procurei por este lançamento. Faith No More era uma “nova mania” entre roqueiros. Mesmo os não tão convictos. Este disco tivera pouca badalação, mas me lembro de ter ouvido Small Victory (e o clip também é lógico) e ficara completamente chapado! E para variar (repararam que sempre vou na contramão?) acho este disco muito melhor que o The Real Thing, o mais conhecido da banda de Mike Patton. O Nu Metal (?) não existiria se não fossem os timbres, os pesos e a “coisa melódica” que sempre acompanhou a banda. Um discaço.

 

 

Segundo Lugar

Music From The Elder – Kiss

ElderEste disco é o único da carreira da banda novaiorquina que não ganhou Disco de Ouro. O quarteto mascarado formado aqui por Gene Simmons, Paul Stanley, Eric Carr e Ace Frehley estava querendo ir em outras direções musicais. Para que você tenha idéia, tem até parceria com Lou Reed (Velvet Underground), coisa absolutamente impensável para uma banda mais conhecida pelo seu hard rock “bem” americano. Bem, pelo menos para mim, neste disco tem pérolas, hoje valorizadas pelos fãs mais antigos, como Odissey e Just A Boy. Reza a lenda, que as guitarras de Ace Frehley (que canta em Dark Light) foram gravadas por telefone e que sequer ele teria encontrado com o resto da banda para discutir o conceito do disco… Existem apresentações da banda ao vivo, na qual se vê que a interação entre eles não é mais a mesma, mas ficou o disco. E que disco!

 

Primeiro Lugar

Dois – Legião Urbana

cdlegiaodoisfg0Num certo período da minha adolescência eu só tinha ouvidos para Legião Urbana. Principalmente no que se referia aos três primeiros discos. Fui ter o disco muito tempo depois (meu tio tinha um enorme ciúme da sua discografia), na época em que já era cd. O curioso é que, á época do lançamento eu morava em Brasília, terra da banda e, mesmo de forma tímida, senti o pequeno impacto que a banda lançara sobre o cenário do rock nacional. Obviamente que com 10 anos achara as letras muito chatas e sem sentido. A reverberação da obra iria me alcançar aos 14 anos, portanto 4 anos depois. Foi tão forte que “graça” a esta descoberta que não me lembro de nada que eu cultuasse com mais ardor do que Legião Urbana. Passei a ter gosto pela poesia, por arranjo, por letra de música, por tocar um instrumento, enfim, o Dois determinou na minha vida, uma vida.

Eu sei, estas listas são absolutamente pessoais e nem tenho a bárbara intenção de “bater” a minha lista com alguém. É só mais uma manifestação íntima e algumas constatações de como discos podem ser retratos indeléveis de histórias que passam mas de músicas que ficam.

Para matar a saudade, um clipe rodado intensamente pela antiga (e melhor) Mtv. More Than Words, Extreme

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