Com todo o respeito ao Rei, acho Roberto Carlos um artista descendente . E sinceramente não me lembro quando ocorreu seu melhor disco. Talvez date de antes de 1986 na qual gravou um disco que foi sucesso comercial estrandoso(que possui a canção ufanista Verde e Amarelo) em tempos longinquos do MP3. O Rei sempre vendeu mais de um milhão de discos anualmente.
O fim de sua parceria com Erasmo (este lançando disco novo e mostrando-se ainda relevante para a música brasileira), marca uma era de má qualidade na carreira do Rei. Ao utilizar canções de compositores popularescos como Michael Sullivan e Carlos Colla, preferiu se aproximar mais ainda (como se fosse impossível) de canções com letras menos sofisticadas para falar de forma “aberta” do amor, de paixões e despedidas. O resultado não se percebeu em quedas de vendas, até porque Roberto alcançou um status no Brasil na qual, mesmo que gravasse discos com canções para serem celebradas em velórios, venderia seguramente mais de 500 mil cópias.
Sua vida particular, mesmo que conduzida de forma discreta, foi esmiuçada através de biografias não autorizadas, pouquíssimas declarações para imprensa e na novela dramática na qual era protagonista junto com sua eterna Maria Rita, na luta contra o câncer.
Neste período especialmente, o Rei “faleceu” ao lado de sua querida companheira, quando abdicou de pensar a música com mais coragem e preferiu, compartilhar sua dor íntima, com seu público, com músicas de caráter religioso, além de eleger Maria Rita como sua mais nova santa de devoção.
A música perdeu muito com as escolhas e decisões de Roberto. E mesmo que alguém queira justificar sua idade como maior desculpa para um relaxamento, basta lembrar que no Brasil (só para ficar por aqui), Gilberto Gil, aqui e ali, continua lançando discos empenhados de qualidade, que, se não podem ser comparados com clássicos como Refazenda, mostram a dedicação do cantor baiano em criar o novo.
E aproveitando as comemorações dos 50 anos do Rei, o Globo Repórter faz um especial com o músico na sexta…
Curioso que seja exatamente no final de semana seguinte a homenagem ao Rei do Pop, Michael Jackson…
Faço o link entre as duas estrelas, pois escutei, de tantos críticos e público, que Michael não morrera na fatídica quinta feira, 25 de junho, mas “há muitos anos, quando deixou que sua imagem monstruosa se apossasse do artista talentoso”.
Não tenho dúvida que a vida de Michael ainda fará nascer lendas inacreditáveis da vida do ex-menino negro. Isso é um fato que será consumado.
E dada as devidas proporções, Roberto não morreu também?
O seu jeito anti-arroz de festa, sua discricão e fama esconderam com galhardia aquilo que é notório há tantos anos (talvez os mesmos do hiato de Michael): o Rei não faz nada que justifique sua realeza há tempos…
Mas uma vez brasileiros, também somos paternalistas e certas estradas devem continuar produtivas, independente das crateras e da ausência de placas de sinalização.
De qualquer forma, mesmo que pareça contraditório, ele merece todas as homenagens (palavra preferida dos ociosos), mas amante da música, gostaria de vê-lo, cantando e produzindo como Johnny Cash (até a morte), Bob Dylan, Neil Young…
Espero que isso não sejam, apenas, detalhes.