O trio que conta com Amarante e Moretti, respectivamente Los Hermanos e Strokes, desembarca no Brasil em agosto para dois shows, um no Rio e outro em São Paulo, a saber, Fundição Progresso e Via Funchal, 14 e 15.
Na minha opinião, este seria o ano do Little Joy, mas a saída temporária de Moretti para a gravação do novo dos Strokes, desacelerou o carro que ia muito bem. Com um som retrô, charmoso e melodico, o trio completado por Binki Shapiro, surpreendeu os EUA, com sua música meio Beach Boys de ser, animando a saudade dos nostálgicos, já que o som folk, parece ser a marca mais pontual deste finalzinho de década.
Como a banda tem sua vida quase incerta pelos compromissos de seus integrantes, eis aí uma ótima oportunidade de ver a maior sensação de 2008.
Este é o lançamento do marrento, presepeiro, quizumbeiro e talentosíssimo Yngwie Malmsteen. Quando li a release acerca do novo disco, fiquei empolgado, porque dizia que “era um disco de baladas feito com muita sensibilidade”… Não consegui ouvir além da terceira faixa. O disco é CHATO de doer a alma. Ele, ficou famoso por ser virtuose no seu instrumento (guitarra), por sua velocidade e por, no melhor estilo erudito, trabalhar com composições que lembravam grandes musicos da era instrumental orquestrada, mesclado ao velho heavy metal. Velho porque quando um músico faz um disco que lembra o mesmo disco de 20 anos atrás fica parecendo que ele está terminando a primeira canção de primeiro disco. Se repetindo, repetindo, repetindo… Tenho respeito por sua carreira e por sua técnica, mas outros (vide Steve Vai, Joe Satriani, Tony McCalpine, para citar alguns) vieram com uma proposta menos “soberba” e cativaram milhares de fãs no mundo inteiro. Disco bom para dormir. Ao menos para isso.
La Plata – 2008
O Jota Quest é daquelas bandas que surgiram no meio dos anos 90 e tentam sobreviver em meio ao marasmo criativo que a música pop se tornou nos atuais tempos. La Plata tem uma retomada daquele som setentista que rotulou a banda em seus primeiros discos e mantem o nível de produção dos anteriores. Gosto de Rogério Flausino. Acho ele um dos melhores vocalistas. Não somente pela técnica, mas principalmente por possuir aquele DNA, que é não ser parecido com NADA. Atualmente no Brasil nós temos os que possuem DNA (Rodrigo Amarante, Jay Vaquer, Samuel Rosa) e os que se diferenciam por serem ruins (Beto Bruno, do Cachorro Grande, Lucas Silveira, do Fresno, Tico Santa Cruz do Detonautas… seriam muitos). O culto ao ruim no Brasil, tornou-se comum. Algo que não se pode descartar é que, mesmo fazendo um som que hoje é demodê, a banda o faz com muita naturalidade, não soa forçado. Ponto para a banda mineira.
Molecular Heinosity – 2009
Derek Sherenian foi tecladista de uma das melhores bandas de rock progressivo, Dream Theater. Em seu tempo ao lado da trupe de Mike Portnoy, manteve linhas de teclado mais discretos do que do atual colega, Jordan Rudess, dono de um estilo mais oriental. Suas cordas sublinhavam as excelentes bases (pesadíssimas) de John Petrucci. Já em carreira solo, Derek lembra Rick Wackeman, mas muito elaborado. E que se leia elaborado da pior forma possível. Eu nunca menosprezo a feitura de canções. O artista se expressa e diz o que quer dizer, da maneira que melhor lhe parece. Mas assim como na vida tem gente que tem dificuldade para expressar o que sente, embora tenha linguagem, na música não é diferente. O disco parece uma colcha de retalhes de trilhas. Uma mistura doida de músicas que começam de um jeito e acabam de outro. Nós brasileiros, em nossa cultura jazzistica, sabemos fazer isso muito bem, quase sempre de forma muito cativante. Até no samba temos bons representantes de como fazer música com sofisticação, no chorinho nem se fala. Mas quando um músico lota sua faixa de teclados, sintetizadores, samplers e vende como rock (apenas pela presença significativa de guitarras), eu, fico com todos os dois pés atrás. Dá para ouvir.
Little Joy – 2008
Eu sou fã incondicional de Rodrigo Amarante e de sua (?) banda Los Hermanos. Não vejo uma referência que consiga reunir, numa só persona, talento, personalidade, autenticidade… Enfim. Um músico que reune qualidades indispensáveis para quem se auto intitula artista. Seu cinismo ou sua sinceridade, contribui para o estigma que ele carrega: um cara meio nem aí para o status quo. I Like! Nem acho que este disco, junto com o baterista dos Strokes, seja a oitava maravilha do mundo, mas acho que nem precisa… A presença do guitarrista e vocalista carioca, é uma garantia de que as composições terão o lençol da beleza. É um bom disco. Estou impressionado de como está difícil ouvir algo que antes não tivesse sido ouvido e nem sei se isto é sinal da minha precoce (!) velhice ou se o mundo da música não anda nada criativo. Um disco de folk, com som folk, anos sessenta… com muita força nas bases de violão, com aquela sujeira auditiva de discos sessentistas. Aqui no Brasil, temos Mallu Magalhães, que faz um som bem parecido, levado pelas melodias, mas com um som mais clean e com referências voltadas para o pop. Little Joy é um disco para se escutar enquanto se faz a vida…
Halestorm – 2009
A banda da vocalista e guitarrista Lzzy Hale não tem nenhuma novidade. É aquele rock meio Foo Fighters, meio Evanescence. Mescla aquela tradição hard americana, com um novo jeito – melancólico – de se fazer rock, herdado do novo movimento gótico/doom europeu, que se alastrou pelo mundo. De fato, bandas como Nightwish, Lacuna Coil, Epica, After Forever (todas com vocal feminino) trouxeram um frescor ao estilo. O Halestorm traz uma boa vocalista. Muita presença durante sua cantoria… A sugestiva canção I Get Off, é tudo que o mercado americano se amarra… O problema é que fica passando aquela imagem/som de Avril Lavigne, que são aquelas baladas adocicadíssimas (cuidado diabéticos ao ouvirem) com muita guitarra oitavada no refrão e dedilhada nos estribuilhos, tipo Nickelback. Mas dá para ouvir. Não é a salvação do rock (DETESTO ESTE LUGAR COMUM!), mas pode ser sua salvação num sábado á tarde de muita chuva e que você enjoou dos seus discos.
Video do Youtube, como de costume para apresentar o HaleStorm, com a canção It’s Not You